24 de março de 2012

Aldeia de Agra


A aldeia de Agra situa-se na freguesia de Rossas, no concelho de Vieira do Minho, a sul do perímetro florestal da Serra da Cabreira, e é banhada pelo Rio Ave, o que lhe confere um cenário paisagístico excecional.

Por entre as ruelas da aldeia encontramos casa em granito serpenteando as ruelas ingremes que desaguam no largo principal junto à Igreja Paroquial de São Lourenço.





O Rio Ave, que tem a sua nascente no alto da Serra da Cabreira, proporciona cascatas e lagoas límpidas e refrescantes, convidando-nos ao descanso e a um mergulho.

Nesta aldeia encontramos outros atrativos como moinhos, a ponte de Parada de origem românica, a oficina de artesanato Arte-Agra, as Alminhas, o Cruzeiro (1857), os espigueiros, os Moinhos, as casas tradicionais, nomeadamente, as casas de Fundevila (1803), do Cruzeiro (1879), das Cortinhas (1678) e do Cabo (1748).






Dadas essas características, a aldeia de Agra, tal como as aldeias de Louredo e de Campos, foi classificada como “Aldeia de Portugal” pela Associação de Turismo de Aldeia.

O que mais me fascinou nesta aldeia foi a serenidade e as paisagens naturais que esta nos brinda.

Vieira do Minho


Vieira do Minho é uma vila do distrito de Braga, localizada num local com uma paisagem privilegiada, bem no coração do Minho, como o próprio nome indica.

A antiguidade da ocupação humana das terras que hoje integram o concelho de Vieira do Minho pode ser atestada pelos inúmeros testemunhos arqueológicos que podem ser vistos no concelho, com particular destaque para a área da Serra da cabreira, território ocupado desde a pré-história e as localidades de Salamonde e Ruivães, onde a presença militar de diferentes povos, com destaque para os romanos, atestam o valor estratégico desta área no controle das principais vias de penetração na província.

O Concelho de Vieira do Minho possui grandes potencialidades que têm sido alvo de aproveitamento turístico.

Iniciamos a visita a este concelho pelo centro da cidade, em seguida dirigimo-nos, à Capela de Nossa Senhora da Fé, na freguesia de Cantelães. Esta capela foi construída em 1759 após o aparecimento da imagem no monte de Santa Cecília. O recinto da Capela integra dois coretos, uma fonte, e ainda uma grande Cruz que se avista desde a vila de Vieira do Minho.




Junto ao santuário de Nossa Senhora da Fé existe um nicho construído no tronco de uma árvore que alberga a imagem de Nossa Senhora.



 Em seguida seguimos o percurso pelo seio da natureza e dos montes verdejantes e encontramos a barragem do Ermal. Para além desta barragem na região existem mais 3 barragens - a da Caniçada, a de Salamonde e a de Venda Nova.





Posteriormente dirigimo-nos para o monte do Penamourinho, freguesia de Soutelo, onde se situa a Capela da Senhora da Lapa. Esta capela foi construída em 1694 a mando de João Gonçalves e sua esposa Margarida da Silva. Esta destaca-se pela sua originalidade, uma vez que foi edificada no interior de um penedo. É de salientar ainda a porta da entrada que data de 1898, várias inscrições gravadas no teto e o quadro encaixilhado com a história do santuário escrita pela Padre José Maria Machado em 1851.




Nas imediações do santuário existem um coreto, várias fontes, as instalações que dão apoio aquando da romaria anual e um miradouro.




Ao longo da nossa visita pela concelho cruzamo-nos com várias  povoações e aldeias.


 
Contudo, considero que o ex-libris desta região é a Serra da Cabreira, segundo reza a lenda a Serra da Cabreira deve o seu nome a uma jovem e bela cabreira que por ali costumava guardar seu rebanho.





Seja a pé ou de viatura, a Serra da Cabreira é passagem obrigatória para quem visita Vieira do Minho, e para quem deseja desfrutar de uma exuberante paisagem serrana. A Serra da Cabreira estende-se pelos territórios de Vieira do Minho e de Cabeceiras de Basto.

Esta Serra conserva ainda um importante núcleo de vestígios arqueológicos, como abrigos pré-históricos, sepulcros megalíticos, mamoas, gravuras rupestres que atestam a antiguidade da ocupação humana neste concelho.

Também encontramos povoados entre os quais a aldeia de Agra que vou descrever num próximo post.

No que se refere à gastronomia Minhota esta faz as delícias dos seus visitantes, desde a tradicional vitela barrosã, ao cabrito, aos muitos pratos de bacalhau, ao famoso cozido à portuguesa, aos rojões e papas de sarrabulho, ou ao queijo e mel de qualidade.


Considero que o recurso mais emblemático deste concelho é a sua paisagem. As paisagens parecem ser desenhadas, com belas cores, refletindo magnitude e brilho.

23 de março de 2012

Sonhos




“Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.”

                                                               Fernando Pessoa

22 de março de 2012

Leões

 Adoro Leões!












Pitões das Júnias


Pitões das Júnias é uma aldeia situada no Parque Nacional da Peneda-Gerês, no concelho de Montalegre.

A origem desta aldeia origem confunde-se com a do Mosteiro de Santa Maria das Júnias, localizado num vale isolado, consagrado à Senhora das Unhas que acabou por se tornar Senhora das Júnias.   

     

A localização no extremo norte de Portugal, o clima inóspito no Inverno e a consequente imigração contribuíram para que a aldeia conservasse a sua pequena população e o característico aspeto medieval. As construções em pedra e a beleza natural do lugar deram início nos anos 90, ao turismo ecológico na região. Turismo esse que cresce nos meses de Verão com a chegada dos seus descendentes, vindos principalmente do Brasil e da França.






O ex-libris desta aldeia é o seu Mosteiro. Implantado num magnífico vale, o mosteiro, cuja primeira construção remonta ao séc. IX, destinava-se a albergar Frades Beneditinos, tendo sido durante o século XII entregue à Ordem de Cister.


 A igreja, de nave única e cobertura de madeira, conserva ainda um interessante portal lateral, românico, e um retábulo seiscentista, na capela-mor.



 O Mosteiro localiza-se numa pequena plataforma encravada no estreito vale da ribeira de Campesinho, em posição abrigada dos ventos, com boa exposição solar, abundância de água e proximidade de pequenas áreas de potencial aproveitamento agrícola.



O convento viria a ser recuperado e já no século XVIII, há informação que dá conta de obras importantes na zona conventual, todavia com a extinção das ordens religiosas, em 1834, o convento é abandonado e alguns anos depois deflagra um incêndio que apenas deixa a igreja de pé.



Deste pequeno convento, restam as paredes dos principais compartimentos a algumas arcadas do claustro, a igreja tem ainda o telhado, mas apresenta um aspeto de abandono, apesar de já terem sido feitas obras pela Direção Geral de Edifícios e Monumentos Nacionais.

Mesmo num estado degradado vale a pena visitar este monumento, onde a sua história ainda permanece nas paredes em ruínas e nas pedras soltas no chão.

Outra atração desta aldeia é a cascata de Pitões, esta é uma das muitas da região do Barroso, abastecida pelas alvas águas que passam pelo Mosteiro de Santa Maria das Júnias.

Depois de percorrermos as atrações da aldeia decidimos repousar de forma a saborearmos os sabores da terra e convivermos com as gentes locais. Assim, dirigimo-nos ao Restaurante Casa do Preto onde nos deliciamos com os enchidos regionais, feito pela dona do restaurante, e com as compotas caseiras apresentadas com um queijo serrano. Este momento de descanso acompanhado de sabores divinais ficou registado na minha memória, uma vez que desfrutei de uma gastronomia rica em produtos que eu elejo como os meus favoritos.

No final dirigimo-nos ao fumeiro da casa e compramos enchidos caseiros para nos deliciarmos ao longo da semana no aconchego do nosso lar.



Ao longo da  visita a Pitões das Júnias tivemos a oportunidade de desfrutar dos prazeres que esta terra nos presenteia.


Montalegre


Montalegre é uma vila do distrito de Vila Real., esta é uma região muito pluviosa e com muitas nascentes, as suas águas dividem-se no planalto dando origem aos rios Cávado, Tâmega, Rabagão e a um grande número de ribeiros que atravessam esta região montanhosa e dão vigor aos prados naturais.

Este concelho enquadra-se na região chamada "Terra Fria", zona de profundos contrastes com Verões quentes e Invernos rigorosos e parte do concelho de Montalegre está inserido no importante Parque Nacional da Peneda-Gerês.

Um pouco por toda a região encontram-se vestígios arqueológicos que mostram uma presença humana já desde tempos pré-históricos, de facto no local onde se encontra a vila de Montalegre, é provável que tenha existido um povoado castrejo pré-histórico que, mais tarde, teria dado lugar a um povoado de vocação agro-pastoril. Por Montalegre habitaram Lusitanos, Celtas, Visigodos, Suevos e, claro, Romanos, que deixaram um importante património arqueológico, tendo sido posteriormente uma terra importante na Idade Média, dado a sua localização estratégica. Montalegre conta, pois, com uma interessante história e um património rico.

Todo o concelho de Montalegre respira este ambiente histórico e pitoresco, como as várias casas senhoriais espalhadas pela região, que tão bem têm sido mantidas, muitas delas hoje em dia transformadas em unidades de alojamento turístico de qualidade.

Do seu importante património arquitetónico destaca-se o Castelo de Montalegre, uma das principais referências arquitetónicas do concelho, fundado no século XIII e reedificado em 1331; o Mosteiro de Pitões; a Ponte da Misarela; a Igreja Românica de S. Vicente; a Casa do Cerrado em Montalegre; o Paço de Vilar de Perdizes; a Torre do Boi de Travassos; a Igreja de Paredes; o Castro de Pedrário; a Casa do Navegador Cabrilho e os Monumentos Funerários Cista-Vila da Ponte.

O castelo de Montalegre tem o início da sua construção atribuída ao rei D. Afonso III, por volta de 1270, mas as obras continuaram nos reinados seguintes e ainda no reinado de D. Afonso IV, por volta de 1330, há referências a obras, nomeadamente à construção da Torre de Menagem.



As preocupações com esta fortificação justificavam-se com a necessidade de defesa da fronteira, do reino de Portugal, de que esta região fez parte a partir da independência e que ao longo de séculos foi ameaçada por Castela.



Após visitarmos o castelo visitamos a igreja do Castelo, uma das duas igrejas da zona medieval da vila. Esta igreja era a Matriz antes da construção da Igreja Nova.




Em seguida percorremos as ruas e ruelas da cidade e aproveitamos para descansar num dos cafés na zona histórica sobre os olhares das gentes da terra.





Posteriormente percorremos outras atrações do concelho de Montalegre e visitamos a aldeia de Paredes, onde  nos deparamos coma  Igreja matriz, os espigueiros, moinhos e casas rurais.







A Igreja paroquial maneirista datada do século XVIII, apresenta uma planta longitudinal composta por uma nave única, uma capela-mor retangular e uma torre sineira.



Também visitamos a Ponte da Misarela situa-se sobre o cristalino rio Rabagão, em pleno Gerês, na freguesia de Ferral.



Esta estrutura data provavelmente da época medieval, ou pelo menos de tradição arquitetónica medieval, enquadrada de forma espetacular na paisagem de densa vegetação.

A ponte está associada a uma já famosa lenda, onde o protagonista é o Diabo, daí que muitas vezes esta seja apelidada de “ponte do Diabo”. Reza a lenda que certo dia um criminoso ao fugir da justiça vê-se encurralado nos penhascos sobranceiros ao rio Rabagão. Em desespero, apelou, à ajuda do diabo, que acedeu, pedindo em troca a sua alma.
O diabo fez então aparecer uma Ponte ligando as margens do rio, passando então o criminoso, mas de seguida fazendo-a desaparecer, travando assim as autoridades.
O criminoso, arrependido, decide procurar um frade para ter a sua alma de volta. Obedecendo ao plano do frade, o criminoso volta ao lugar a pedir o auxílio do Diabo para a travessia, fazendo reaparecer a ponte. O frade benze então com água benta a Ponte, o penitente recupera a alma perdida e o diabo perde a mais uma batalha do bem contra o mal.
A ponte ficou então com um caráter sagrado, e ainda hoje se diz que se algo vai mal numa gravidez, deve a mulher pernoitar debaixo da ponte, e a primeira pessoa que pela manhã passar pela ponte deverá ser o padrinho ou madrinha da criança, que deverá receber o nome de Gervásio ou Senhorinha.
Regularmente vários Gervásios e Senhorinhas ali se reúnem desde há tempos remotos, para celebrar esta lenda, que talvez lhes tenha salvo a vida!



Outra atração local que visitamos foi a aldeia de Arcos, esta é uma região de antiga ocupação Humana, rica em vestígios arqueológicos, muitos deles datados do período de ocupação Romana do território. A região é caraterizada, também, pelas belas paisagens naturais, evidenciando-se um bem comum nesta área serrana: a água.




O ex-libris desta aldeia é a fonte romana que serviu a população de Arcos durante séculos, lado a lado com o importante Forno Comunitário, símbolo da comunidade rural, perfeitamente enquadrados nesta típica povoação serrana.





Por fim, visitamos a aldeia Pitões das Júnias que vou descrever no post seguinte, onde visitamos as casas típicas da aldeia, o Mosteiro, a cascata de pitões das Júnias e saboreamos a gastronomia local.

Na gastronomia de Montalegre destaca-se no Fumeiro, Presunto, Chouriça, Alheira, nas carnes a Vitela Barrosã, o Cabrito de Barroso assado ou estufado, Coelho do Monte, a Perdiz, o Cozido à Barrosã; as Trutas do Rio Cávado, ainda o Pão Centeio, o Folar e a Bica de Centeio e o Mel de Barroso. Aproveitamos o facto de visitarmos esta terra para comprarmos num talho a verdadeira posta de vitela Barrosã e alguns enchidos.


O concelho de Montalegre é digno de ser visitado, uma vez que está repleto de atrações, adorei as suas gentes e deliciei-me com a gastronomia local.