10 de dezembro de 2011

Penafiel



Penafiel é uma cidade que pertence ao distrito do Porto, onde abundam fantásticas paisagens e um rico património, conjugados com uma tradição ancestral.
Outrora conhecida como São Martinho de Moázeres e como Arrifana de Sousa, Penafiel é uma cidade antiga, tendo sido comenda da Ordem de Cristo que auxiliou algum do seu desenvolvimento na época medieval.

Sobre as origens do nome Penafiel, conta-se que, tendo havido dois castelos, um a norte e outro a sul do rio Sousa, afluente do Douro e na margem esquerda do qual fica a actual cidade, o segundo chamava-se Pena e encontrava-se no cimo dum monte alcantilado. Como este nunca tivesse sido conquistado pelos mouros, não obstante vários e fortes ataques, deram-lhe posteriormente o nome de castelo de Pena Fiel. Tomadas aos mouros por D. Fraião Soares as terras circundantes, passou este a governar os dois castelos e um território de três paróquias, estabelecendo então um luzido solar em Arrifana. A ser assim, como se diz, o topónimo actual teria resultado da justaposição dos dois nomes, Pena e Fiel.

Iniciamos a nossa visita pelo centro da cidade onde nos cruzamos com o pelourinho e com a igreja de S. Martinho, igreja matriz de estilo renascentista.

Seguidamente dirigimo-nos para o Santuário de Nossa Senhora da Piedade, também conhecido o Santuário do Sameiro, um dos locais mais famosos e visitados da região. O Santuário foi construído em finais do século XIX a par do belo Parque Zeferino de Oliveira, popularmente conhecido por Jardim do Sameiro, num encantador estilo romântico, com a cidade a seus pés.






Depois de percorrermos os jardins do Sameiro percorremos os arredores da cidade e visitamos o Mosteiro de S. Miguel de Bustelo, antigo mosteiro beneditino, masculino, que se apresenta hoje como um importante monumento barroco, individualizando-se sobretudo pelo imponente aqueduto, pelos altares e cadeiral do coro, em talha, profusamente decorados.

Também visitamos a Anta da Portela, um túmulo pré-histórico, popularmente designado por Forno dos Mouros, que consiste numa anta ou dólmen com câmara coberta e corredor, ao qual corresponderia uma mamoa de grandes dimensões. A câmara, poligonal, é constituída por sete esteios, sendo apenas três os que suportam a laje de cobertura. O corredor, voltado a nascente, é constituído por dez esteios e atinge cerca de seis metros de comprimento.



Como Penafiel encontra-se representado na Rota do Românico com seis monumentos fortemente marcados por este estilo arquitectónico, decidimos percorrer alguns dos monumentos mais representativos do estilo românico.

Assim, visitamos o Mosteiro do Salvador de Paço de Sousa, a fundação de uma comunidade monástica que remonta ao século X está na origem deste Mosteiro Beneditino.




Esta igreja não corresponde ao atual templo românico, mas a sua arquitetura deixou marcas na construção que viria a ser erguida no século XIII, apresentando parcelas de épocas diferentes. Neste mosteiro encontra-se o túmulo de Egas Moniz.





Outro monumento românico que apreciamos foi o Memorial da Ermida. As características do estilo de decoração empregue na construção deste monumento apontam para meados do século XIII. Em todo o território nacional sobram apenas seis exemplares deste tipo de monumento funerário que, segundo alguns especialistas, será um exclusivo de Portugal. A sua função, apesar de não estar totalmente esclarecida, prende-se com a colocação de túmulos, a evocação da memória de falecidos ou a passagem de cortejos fúnebres, como narra a lenda do cortejo fúnebre da Rainha Santa Mafalda.




Continuamos o nosso percurso e visitamos a Igreja de São Pedro de Abragão que está documentada desde 1105, embora tenha sido totalmente remodelada no século XIII, por iniciativa de D. Mafalda, filha do rei D. Sancho I, segundo a tradição.

Outra atração desta rota é a Igreja de São Gens de Boelhe. D. Mafalda, filha de D. Sancho I e neta de D. Afonso Henriques, esteve na origem da fundação desta Igreja no século XIII. O estilo da sua construção, muito dentro da moda da época nesta região, parece confirmá-lo.




Em Penafiel também é de evidenciar o património e arquitectura rurais, existentes em vários lugares e aldeias do concelho, com especial incidência para as Aldeias Preservadas de Quintandona (Lagares) e Cabroelo (Capela).

Deste modo, visitamos a Aldeia Quintandona, localizada na freguesia de Lagares, esta configura uma aldeia típica preservada, de beleza e arquitectura singulares. O aglomerado de construções em pedra de lousa e xisto, o solo com a mesma configuração e a vasta paisagem agrícola e florestal que a envolve, constituem factores diferenciadores de grande atractividade turística. Na aldeia, existe ainda uma capela com mais de 200 anos.





Outra aldeia que visitamos foi a Aldeia de Cabroelo, nesta aldeia, as construções são na sua maioria em granito, as eiras em xisto e os pequenos espigueiros em madeira.



No alto da aldeia, encontra-se a Capela de S. Mateus, templo do povo, reconstruído em 1872, constituído por um curioso altar em talha barroca.



Depois de um longo dia de passeio pelo concelho de Penafiel ao nos dirigirmos para casa encontramos uns moinhos de água bem preservados, na freguesia de Capela, situados ao longo do ribeiro da Trunqueira, envoltos numa zona verde igualmente muito bem preservada.




Contudo, a visita ao concelho de Penafiel não tinha finalizado neste dia e quando tivemos oportunidade voltamos a Penafiel de forma a percorrermos novamente as ruas da cidade e apreciarmos as casas senhoriais e os palacetes. Nesse dia descobrimos a Quinta da Aveleda, um verdadeiro deslumbre envolto de verde e de romantismo.

Quando se passa o portão da Quinta da Aveleda, inicia-se a visita a uma das mais conhecidas quintas de Portugal, propriedade da família há várias gerações, com verdadeiro renome internacional, considerada monumento nacional desde 1910.

Os jardins da Quinta da Aveleda são um dos mais bem conservados exemplos de jardim romântico em Portugal, sendo simultaneamente um excelente modelo de manutenção das suas características originais.



Invulgar no sucesso e longevidade, a propriedade da Quinta da Aveleda foi ampliada na década de 60 do séc. XIX por Manuel Pedro Guedes encontrando-se hoje sob alçada da mesma família, formando uma propriedade extensa e contínua até à cidade.

Antes de iniciarmos a visita à quinta fomos presenteados por um ensejo repleto de sabores, saboreamos os queijos e vinhos produzidos na quinta. Um verdadeiro momento delicioso!

Ao percorrermos a quinta fomo-nos cruzando com vários animais, várias espécies de plantas e árvores e com um ambiente verdadeiramente acolhedor e romântico.









Encontramos um lago constituído por três ilhas. Na primeira destaca-se uma janela quinhentista, monumento histórico de rara beleza, que fazia parte da casa onde nasceu o Infante D. Henrique, filho de D. João, rei de Portugal. A segunda ilha é composta por um rochedo com um grande repuxo de água que refresca as hidrângeas que o adornam. Por último, na maior ilha de todas, ligada a terra por uma ponte, podemos encontrar uma casa com telhado revestido de colmo e varandas de madeira onde se pode desfrutar uma admirável panorâmica sobre o vale e as colinas que o rodeiam.





Ao fundo do relvado, encontramos a Fonte das 4 Estações mesmo em frente da Casa Senhorial. É uma fonte igualmente em granito, de raras proporções, com 4 medalhões de mármore branco que representam 4 senhoras da família e, ao mesmo tempo, as estações do ano.



Ao longo da viagem por esta quinta deleitosa foram várias as atrações que nos fomos entrelaçando, chegando à conclusão que é impossível ficar indiferente à beleza deste local.

No que se refere à gastronomia desta localidade os pratos mais típicos são o cabrito ou o anho assado com arroz de forno, o cozido, o sável frito ou de escabeche, e ainda a lampreia, à bordaleza ou em arroz de sangue, tudo bem acompanhado com o vinho verde da região. A originalidade doceira de Penafiel é, no entanto, mais bem representada pela sopa seca, o sarrabulho doce e pelas tortas de S. Martinho, muito apreciados por naturais e visitantes, sendo as últimas exclusivas de Penafiel.

Podemos concluir que o concelho de Penafiel brinda os visitantes com fragmentos de história, cultura, beleza natural e arqueológica.

9 de dezembro de 2011

Lousada



O concelho de Lousada, está integrado na região do Vale de Sousa, e está situado no distrito do Porto.

Este é banhado pelos caudais do rio Sousa, do rio Mesio e do ribeiro da Ermida, afluente do rio Vizela.

Desde tempos imemoriais que se sabe que o local onde actualmente se encontra o concelho de Lousada é uma região habitada. A natureza em extensão, plena de terrenos férteis deixava adivinhar a passagem de muitos povos nómadas que, atraídos pelos verdejantes espaços, se teriam fixado em busca de abrigo, segurança e sobrevivência. Estas são terras onde abunda a água e a floresta.

Uma das mais antigas referências ao actual espaço do concelho de Lousada remonta ao século VI, quando Meinedo foi sede da diocese do Porto. Alguns séculos mais tarde, em 17 de Janeiro de 1514, Lousada recebeu de D. Manuel I a carta de foral e categoria de vila.

A palavra “Louzada” significa pedreira ou terra onde há lousas. E efectivamente as lousas lá se vêem no sítio e imediações do citado “logarejo da freguezia” de Santa Margarida.

Há quem também quem narre que o nome de Lousada derivar do facto destes lugares terem sido dados a algum dos Lousadas que vieram de Espanha tomar parte na batalha do Toro ao lado de D. Afonso V, ou porque algum deles aqui viveu.

O concelho é riquíssimo em património, património este nas suas diferentes vertentes. É rico e muito diversificado o património Lousadense - cruzeiros, alminhas, igrejas, fontanários, portões em ferro forjado que fecham o caminho para os solares do séc. XVII - XVIII, capelas, um pelourinho, assim como exemplares dignos e incluídos na rota do românico.

Iniciamos a nossa visita pelo centro da cidade, onde nos deparamos com uma vila pacatíssima e familiar, ao centro da vila encontramos um pequeno jardim, sobre o qual assenta a moderna igreja paroquial capela do Sr. Dos Aflitos.




Em seguida, rumamos para as atrações românicas do concelho de Lousada e visitamos a Torre de Vilar, construída entre a segunda metade do século XIII e o início do século XIV, esta evidencia o poder senhorial sobre o território, sendo um testemunho da existência da domus fortis, uma residência senhorial fortificada no Tâmega e Sousa.



Outra atração é a Igreja do Salvador de Aveleda que surge em 1177, quando Vela Rodrigues doa ao Mosteiro do Salvador de Paço de Sousa os bens que possuía em Lousada, herdados de seu pai, Rodrigo Viegas, e dos seus avós, Egas Moniz e Teresa Afonso. O orago da Igreja consta em documento de 1218, bem como nas Inquirições de 1258. A Igreja do Salvador de Aveleda é, deste modo, uma construção românica tardia, cujo interior foi objeto de uma campanha decorativa no decorrer do século XVIII.




Continuamos o nosso percurso e deparamo-nos com a Ponte de Vilela que deverá datar dos séculos XVII-XVIII, sendo certo que já existia em 1758, pois é referenciada nas Memórias Paroquiais. A Ponte é utilizada para assegurar a travessia do rio Sousa entre os lugares de Vilela, de Vilar de Nuste e de Cartão.



Por fim, visitamos a Igreja de Santa Maria de Meinedo, apesar de ser desconhecida a data da sua fundação, deverá ter sido erigida entre o final do século XIII e o início do século XIV, embora o templo perpetue esquemas decorativos e soluções construtivas que seguem os modelos românicos. Apesar desta datação tardia, o prestígio da Igreja é muito grande, uma vez que Meinedo foi sede de um Bispado no século VI.





Após esta visita comprovamos que o concelho de Lousada é de grande riqueza cultural e etnográfica, fruto de um profundo apego e enraizamento na paisagem, no clima e nos trabalhos agrícolas.

Felgueiras



Felgueiras é uma cidade portuguesa no distrito do Porto.

A primeira referência histórica a Felgueiras data de 959, no testamento de Mumadona Dias, quando é citada para identificar a vila de Moure: "In Felgaria Rubeans villa de Mauri".

Felgueiras deriva do termo felgaria, que significa terreno coberto de fetos que, quando secos, são avermelhados (rubeans). Havendo quem afirme que o determinativo Rubeans se deve a que o local foi calcinado pelo fogo.

Os bordados são uma das mais ricas tradições da região, o filé ou ponto de nó, o ponto de cruz, o bordado a cheio, o richelieu e o crivo são exemplos genuínos do produto artesanal.

Este município integra a Rota do Românico do Vale do Sousa. O românico do Tâmega e Sousa apresenta características muito peculiares e regionalizadas que o singularizam no contexto do românico português.

Depois de visitarmos o centro da cidade de Felgueiras dirigimo-nos para os monumentos que integram a Rota do Românico. Assim, começamos por visitar o Mosteiro de Pombeiro que foi fundado, segundo a tradição, em 1059, apesar da mais antiga referência documental conhecida apontar para o ano de 1099. Pombeiro é, todavia, uma das mais antigas instituições monacais do território português, estando documentada desde 853.



Já na Idade Moderna, Pombeiro foi objeto de profundas modificações, a maioria das quais ocorridas no período Barroco. Uma das alas do claustro data de 1702, século ao longo do qual se realizaram a nova capela-mor, o coro alto, o órgão, as numerosas obras de talha dourada, as duas torres que flanqueiam a frontaria e uma parte das alas monacais.






A Igreja de S. Vicente de Sousa é outro dos monumentos que integram esta rota, a sua inscrição da época românica, permite conhecer a sua história. A inscrição comemorativa da dedicação da Igreja encontra-se gravada na face externa da parede da nave, à direita do portal lateral norte do templo, revelando que a Igreja foi sagrada em 14 de agosto de 1214. Já a segunda inscrição é mais antiga, de 1162, correspondendo a uma inscrição fúnebre ou comemorativa da construção de um arcossólio. A ser, de facto, uma inscrição funerária, trata-se do exemplar mais antigo registado.




Outra igreja de estilo românico que encontramos no concelho de Felgueiras foi a igreja Salvador de Unhão este é um importante templo religioso, refletindo a importância e o alcance do processo de povoamento da região ao longo do século XIII. A Igreja possui uma imagem esculpida de Nossa Senhora do Leite, representação muito rara e, provavelmente, muito valiosa. Personagem do hagiológico, Nossa Senhora do Leite encontra-se a amamentar o Menino que transporta nos braços, provavelmente esculpida nos séculos XIII ou XVI.




Por fim, visitamos a Igreja de Santa Maria de Airães, o aspeto tardio de alguns dos elementos da sua construção aponta para um edifício do final do século XIII ou mesmo do início do século XIV.




O facto de termos percorrido a rota do românico permitiu que visitássemos várias cidades e que adquiríssemos conhecimentos históricos e culturais de cada uma delas. Assim, nos próximos tópicos vou continuar a narrar a viagem pelas cidades que integram monumentos românicos do Vale do Sousa.

8 de dezembro de 2011

Em cada um de nós há um segredo




“Em cada um de nós há um segredo, uma paisagem interior, com planícies invioláveis, vales de silêncio e paraísos secretos.”

                                                                                                                  Antoine Saint Exupery

7 de dezembro de 2011

Saber viver...



"Nem todos os anos que passam se vivem: uma coisa é contar os anos, outra é vivê-los".

                                                                                                                   Padre António Vieira