9 de dezembro de 2011

Lousada



O concelho de Lousada, está integrado na região do Vale de Sousa, e está situado no distrito do Porto.

Este é banhado pelos caudais do rio Sousa, do rio Mesio e do ribeiro da Ermida, afluente do rio Vizela.

Desde tempos imemoriais que se sabe que o local onde actualmente se encontra o concelho de Lousada é uma região habitada. A natureza em extensão, plena de terrenos férteis deixava adivinhar a passagem de muitos povos nómadas que, atraídos pelos verdejantes espaços, se teriam fixado em busca de abrigo, segurança e sobrevivência. Estas são terras onde abunda a água e a floresta.

Uma das mais antigas referências ao actual espaço do concelho de Lousada remonta ao século VI, quando Meinedo foi sede da diocese do Porto. Alguns séculos mais tarde, em 17 de Janeiro de 1514, Lousada recebeu de D. Manuel I a carta de foral e categoria de vila.

A palavra “Louzada” significa pedreira ou terra onde há lousas. E efectivamente as lousas lá se vêem no sítio e imediações do citado “logarejo da freguezia” de Santa Margarida.

Há quem também quem narre que o nome de Lousada derivar do facto destes lugares terem sido dados a algum dos Lousadas que vieram de Espanha tomar parte na batalha do Toro ao lado de D. Afonso V, ou porque algum deles aqui viveu.

O concelho é riquíssimo em património, património este nas suas diferentes vertentes. É rico e muito diversificado o património Lousadense - cruzeiros, alminhas, igrejas, fontanários, portões em ferro forjado que fecham o caminho para os solares do séc. XVII - XVIII, capelas, um pelourinho, assim como exemplares dignos e incluídos na rota do românico.

Iniciamos a nossa visita pelo centro da cidade, onde nos deparamos com uma vila pacatíssima e familiar, ao centro da vila encontramos um pequeno jardim, sobre o qual assenta a moderna igreja paroquial capela do Sr. Dos Aflitos.




Em seguida, rumamos para as atrações românicas do concelho de Lousada e visitamos a Torre de Vilar, construída entre a segunda metade do século XIII e o início do século XIV, esta evidencia o poder senhorial sobre o território, sendo um testemunho da existência da domus fortis, uma residência senhorial fortificada no Tâmega e Sousa.



Outra atração é a Igreja do Salvador de Aveleda que surge em 1177, quando Vela Rodrigues doa ao Mosteiro do Salvador de Paço de Sousa os bens que possuía em Lousada, herdados de seu pai, Rodrigo Viegas, e dos seus avós, Egas Moniz e Teresa Afonso. O orago da Igreja consta em documento de 1218, bem como nas Inquirições de 1258. A Igreja do Salvador de Aveleda é, deste modo, uma construção românica tardia, cujo interior foi objeto de uma campanha decorativa no decorrer do século XVIII.




Continuamos o nosso percurso e deparamo-nos com a Ponte de Vilela que deverá datar dos séculos XVII-XVIII, sendo certo que já existia em 1758, pois é referenciada nas Memórias Paroquiais. A Ponte é utilizada para assegurar a travessia do rio Sousa entre os lugares de Vilela, de Vilar de Nuste e de Cartão.



Por fim, visitamos a Igreja de Santa Maria de Meinedo, apesar de ser desconhecida a data da sua fundação, deverá ter sido erigida entre o final do século XIII e o início do século XIV, embora o templo perpetue esquemas decorativos e soluções construtivas que seguem os modelos românicos. Apesar desta datação tardia, o prestígio da Igreja é muito grande, uma vez que Meinedo foi sede de um Bispado no século VI.





Após esta visita comprovamos que o concelho de Lousada é de grande riqueza cultural e etnográfica, fruto de um profundo apego e enraizamento na paisagem, no clima e nos trabalhos agrícolas.

Felgueiras



Felgueiras é uma cidade portuguesa no distrito do Porto.

A primeira referência histórica a Felgueiras data de 959, no testamento de Mumadona Dias, quando é citada para identificar a vila de Moure: "In Felgaria Rubeans villa de Mauri".

Felgueiras deriva do termo felgaria, que significa terreno coberto de fetos que, quando secos, são avermelhados (rubeans). Havendo quem afirme que o determinativo Rubeans se deve a que o local foi calcinado pelo fogo.

Os bordados são uma das mais ricas tradições da região, o filé ou ponto de nó, o ponto de cruz, o bordado a cheio, o richelieu e o crivo são exemplos genuínos do produto artesanal.

Este município integra a Rota do Românico do Vale do Sousa. O românico do Tâmega e Sousa apresenta características muito peculiares e regionalizadas que o singularizam no contexto do românico português.

Depois de visitarmos o centro da cidade de Felgueiras dirigimo-nos para os monumentos que integram a Rota do Românico. Assim, começamos por visitar o Mosteiro de Pombeiro que foi fundado, segundo a tradição, em 1059, apesar da mais antiga referência documental conhecida apontar para o ano de 1099. Pombeiro é, todavia, uma das mais antigas instituições monacais do território português, estando documentada desde 853.



Já na Idade Moderna, Pombeiro foi objeto de profundas modificações, a maioria das quais ocorridas no período Barroco. Uma das alas do claustro data de 1702, século ao longo do qual se realizaram a nova capela-mor, o coro alto, o órgão, as numerosas obras de talha dourada, as duas torres que flanqueiam a frontaria e uma parte das alas monacais.






A Igreja de S. Vicente de Sousa é outro dos monumentos que integram esta rota, a sua inscrição da época românica, permite conhecer a sua história. A inscrição comemorativa da dedicação da Igreja encontra-se gravada na face externa da parede da nave, à direita do portal lateral norte do templo, revelando que a Igreja foi sagrada em 14 de agosto de 1214. Já a segunda inscrição é mais antiga, de 1162, correspondendo a uma inscrição fúnebre ou comemorativa da construção de um arcossólio. A ser, de facto, uma inscrição funerária, trata-se do exemplar mais antigo registado.




Outra igreja de estilo românico que encontramos no concelho de Felgueiras foi a igreja Salvador de Unhão este é um importante templo religioso, refletindo a importância e o alcance do processo de povoamento da região ao longo do século XIII. A Igreja possui uma imagem esculpida de Nossa Senhora do Leite, representação muito rara e, provavelmente, muito valiosa. Personagem do hagiológico, Nossa Senhora do Leite encontra-se a amamentar o Menino que transporta nos braços, provavelmente esculpida nos séculos XIII ou XVI.




Por fim, visitamos a Igreja de Santa Maria de Airães, o aspeto tardio de alguns dos elementos da sua construção aponta para um edifício do final do século XIII ou mesmo do início do século XIV.




O facto de termos percorrido a rota do românico permitiu que visitássemos várias cidades e que adquiríssemos conhecimentos históricos e culturais de cada uma delas. Assim, nos próximos tópicos vou continuar a narrar a viagem pelas cidades que integram monumentos românicos do Vale do Sousa.

8 de dezembro de 2011

Em cada um de nós há um segredo




“Em cada um de nós há um segredo, uma paisagem interior, com planícies invioláveis, vales de silêncio e paraísos secretos.”

                                                                                                                  Antoine Saint Exupery

7 de dezembro de 2011

Saber viver...



"Nem todos os anos que passam se vivem: uma coisa é contar os anos, outra é vivê-los".

                                                                                                                   Padre António Vieira

6 de dezembro de 2011

Vila Praia de Âncora


Vila Praia de Âncora é uma vila de pescadores, pertencente ao concelho de Caminha, uma das mais famosas da região Minhota, situada na Costa Atlântica e na foz do rio Âncora.

Esta vila apresenta vestígios de ocupação humana desde o período Paleolítico, e variados monumentos megalíticos, como o Dólmen da Barrosa do período neolítico. Importantes são os muitos vestígios castrejos encontrados na localidade.
Na época de ocupação Romana foi uma importante localidade devido à extração de minérios do rio Âncora.

A Praia é o maior atrativo da vila, que pauta também pelo Forte de Vila Praia de Âncora ou Fortim da Lagarteira do século XVII, o Forte do Cão, construído entre 1699 e 1702, pela Igreja Matriz ou pela Capela do Calvário, e pelos muitos legados patrimoniais religiosos, como cruzeiros.

As paisagens naturais circundantes são de extrema beleza, e atraem um grande número de visitantes, sobretudo durante a época balnear.




Iniciamos a visita pelo Forte da Lagarteira, também designado por Forte de Âncora. Este tinha por objetivo a defesa da costa perante a ameaça da armada espanhola.
Nesta construção conciliam-se características seiscentistas com a persistência de algumas de cariz medieval.




Em seguida percorremos as ruas do centro histórico e cruzamo-nos com a Capela de Nossa Senhora da Bonança, que foi construída em 1889. A atual Capela de Nossa Senhora da Bonança assenta nas funções da pequena capela de Nossa Senhora das Necessidades que foi construída em 1760-1765 e depois demolida em 1889.



Posteriormente dirigimo-nos para o Dolmén da Barrosa, um dos monumentos megalíticos mais emblemáticos do país, do período neolítico. Este dólmen é composto pela Câmara funerária, a pedra de cabeceira no topo e nove esteios. Designado vulgarmente como a “lapa dos mouros”, este dólmen assenta sobre uma elevação de terras ou “tumulus”, cuja base se vê cortada por algumas pedras grosseiras, com o fim de vedar o recinto por ele ocupado.





Por fim, visitamos o Forte do Cão, construído no século XVII durante a Guerra da Restauração, cujo objetivo era a defesa da costa portuguesa perante a armada espanhola. Esta construção possui uma planta em estrela com quatro baluartes, dois deles voltados ao mar.



Outra atração desta vila é a sua gastronomia, podemos encontrar várias iguarias tais como a parrilhada de peixe e de marisco, cabrito à serra de Arga, arroz de marisco a moda do portinho, caldeirada à Tio Feito, torta de marisco, bacalhau à S. Lourenço da Montaria, sardinhas recheadas, bacalhau dourado, peru estufado e recheado à Meira, bolinhos de coco e doces de romaria.

Vila Praia de Âncora é uma vila acolhedora repleta de atrações.



Caminha



A antiga vila fortificada de Caminha debruça-se sobre o rio Minho, é fronteiriça com Espanha e é rica em património histórico e arquitetónico. A vila é atraente, com as suas casas senhoriais e muralhas defensivas que parecem sussurrar contos e lendas, a Igreja Matriz em estilo gótico e a simpática praça central com os seus cafés e esplanadas, a Torre do Relógio (século XV), o chafariz renascentista e o Solar dos Pitas.

Na região existem diversos monumentos megalíticos, tendo a cultura Castreja deixado uma forte herança. Suevos e Romanos deixaram também a sua marca, estes últimos dotando a região de pontes, caminhos e outros monumentos.

Caminha era um ponto avançado na estratégia militar Portuguesa na luta contra castelhanos e leoneses, e o seu Porto foi de grande importância até meados do século XVI, servindo nos dias de hoje mormente para a ligação por ferry-boat a Espanha, na margem oposta. Diversas lutas e conflitos foram travados nestas paragens, tendo mesmo durante a 2ª Invasão francesa, em Fevereiro de 1809, sido atacada pelas tropas do Marechal Soult. A ajuda do povo às poucas tropas do tenente-coronel Champalimaud, impediu os franceses de entrar em Caminha. Uma defesa que constitui uma página brilhante de estratégia militar.

Caminha é um concelho com um rico património histórico de natureza religiosa, militar ou civil. Assim, iniciamos a nossa visita pela zona histórica contornando as muralhas da cidade. As muralhas mais antigas de Caminha datam do século XIII, do reinado de D. Afonso III. Mas é no século XVII, na sequência das guerras da Restauração, que são construídos os baluartes da fortaleza. Os muros que delas restam, algumas dezenas de metros de cintura amuralhada, são em parte medievais e em parte setecentistas.




Em seguida visitamos a igreja Matriz, o ex-libris da cidade, um símbolo de fé e persistência dos caminhenses. Iniciada em 1488, no reinado de D. João IV, a sua construção prolongou-se por mais de sessenta anos. A nível estrutural, insere-se no estilo gótico, embora já se notem alguns traços renascentistas.




Continuamos o nosso percurso pelas ruas da cidade e fomos nos deparando com algumas casas senhoriais.






Chegamos à praça principal e nesta apreciamos a Igreja da Misericórdia, construída no século XVI. Trata-se de uma igreja renascentista de planta longitudinal composta por uma única nave e capela-mor de planta rectangular. No século XVIII, foi redecorado o interior com talha dourada em estilo barroco e rococó. Num dos altares destaca-se a imagem de Sta. Rita de Cássia, a padroeira de Caminha.







Nessa mesma praça encontramos o Paços do concelho e a Torre do Relógio, que é parte integrante das muralhas, mandadas construir no século XII. A Torre do Relógio é a única torre que existe em toda a sua pureza. Voltada a sul, esta torre designava-se Porta de Viana, por constituir uma saída em direção a Viana do Castelo. Após a Restauração D. João IV mandou colocar sobre a porta uma imagem de pedra da Virgem da Conceição. Em 1673 no cimo da torre foi colocado o relógio que lhe viria a dar o nome. 




No centro da praça rodeado de movimento situa-se o Chafariz que é uma notável obra de arte que embeleza o largo do Terreiro. Foi mandado construir em 1551, devido a não haver uma fonte pública em Caminha.



Das várias casas senhoriais que nos defrontamos destaco a Casa dos Pitas, este palácio urbano obedece a uma tipologia comum no século XVII, de planta retangular que se desenvolve horizontalmente. Insere-se num revivalismo da arquitetura manuelina A sua construção decorreu entre os anos de 1649 a 1652.

Depois de percorrermos as ruas históricas da cidade decidimos visitar as atrações fora do centro, assim avistamos o Forte da Ínsua, localizado no ilhéu da Ínsua, na freguesia de Moledo. Este ilhéu foi inicialmente ocupado por uma comunidade franciscana no século XIV, altura em que construíram o convento de Santa Maria da Ínsua. Também deste período deverá datar a primeira fortaleza, mas da qual nada resta. A fortaleza tal como hoje a conhecemos data do século XVII, do reinado de D. João IV.

Seguidamente dirigimo-nos para o Mosteiro de S. João d`Arga situado no topo da Serra de Arga dispondo de uma ampla visibilidade sobre o rio Minho. Embora seja desconhecida a data da sua fundação, as suas características apontam para os finais do século XIII. Esta construção de arquitetura românica insere-se no grupo das pequenas igrejas rurais, de nave única e curta, com capela-mor de planta quadrangular e panos murários muito robustos.

Também percorremos os vários miradouros (o da Fraga, o do Calvário e da Nossa Senhora das Neves), de forma a contemplar a bela vista para o rio Minho.



Por fim, deslocamo-nos à freguesia de Lanhelas de forma a apreciarmos o grandioso Cruzeiro da Independência. De todos os cruzeiros existentes na freguesia, é sem dúvida o mais importante, quer pelo tamanho gigantesco que possui, quer pelo significado que tem para todos os lanhelenses.
Trata-se de um monumento comemorativo das guerras da independência. Justaposto a um moinho de vento, este monumento, símbolo e referência da freguesia de Lanhelas, visa celebrar a famosa data de 23 de Abril de 1644, que ficou na história, em que os habitantes de Lanhelas se defenderam, com valentia, da investida espanhola.



Gastronomicamente os pratos típicos de Caminha são o arroz ou cabidela de lampreia, sável de escabeche frito e a os mariscos em geral.

O concelho de Caminha é rico em termos ambientais, paisagísticos, recursos naturais, patrimoniais, culturais e gastronómicos, proporcionando aos turistas uma visita memorável.


5 de dezembro de 2011

A essência de partilhar

                                    Imagem retirada do site: http://www.google.pt/imghp?hl=pt-PT&tab=wi



O que seria de mim se vivesse um momento, uma viagem, um acontecimento e o fechasse no meu íntimo? Alimentava apenas o meu ser sem ter oportunidade de saciar o conhecimento, a motivação, e a vida do outro.

Os momentos subsistem para serem partilhados, só assim faz sentido vivermos as emoções intensamente. Considero que quem não partilha esconde os momentos de si mesmo, nas profundezas do seu espírito, ansiando que ninguém os descubra, os sinta, os viva da mesma forma, receando ver o outro feliz. Essa pessoa mantém a esperança que escondendo-os eles perdurem e se tornem eternos na sua mente. Contudo a única forma de fazer com que os momentos perdurem é mostrá-los, descrevê-los, partilha-los com o outro, presenteando as pessoas que nos rodeiam com fragmentos de nós próprios.

As pessoas pobres de espírito podem pensar que partilhar é exibir, porém partilhar é cedermos um pedaço da nossa alma ao outro, alimentando o seu espírito.

A partilha não é uma tarefa fácil, nem todos têm a dádiva de brindar o outro com um pedaço de si mesmo, uma vez que não desejam ao outro o que desejam para si próprios.

Sem dúvida que não vou deixar de partilhar momentos, pensamentos, memórias e emoções, porque a felicidade só se concretiza quando é partilhada.
By Carfil

4 de dezembro de 2011

It´s hard say goodbye

Para ser grande, sê inteiro


Imagem retirada do site: https://www.google.com/search


"Para ser grande, sê inteiro: nada teu exagera ou exclui. Sê todo em cada coisa. Põe quanto és no mínimo que fazes. Assim em cada lago a lua toda brilha, porque alta vive."

Fernando Pessoa

3 de dezembro de 2011

Memórias

Imagem retirada so site: http://www.google.pt/search


 
“Habituei-me a ser o que a memória fez de mim e não estou de todo descontente com o resultado, ainda que os meus actos nem sempre tenham sido os mais merecedores. Sou um bicho da terra como qualquer ser humano, com qualidades e defeitos, com erros e acertos, deixem-me ficar assim. Com a minha memória, essa que eu sou. Não quero esquecer nada.”
José Saramago