18 de novembro de 2011

Braga


Depois de descrever os locais percorridos fora do nosso país, finalmente volto a dedicar-me aos percursos que realizei pelo nosso Portugal. Como já referi num outro tópico percorrer os recantos de Portugal tem sido uma prioridade, sempre que tenho disponibilidade visito parte do nosso património cultural e religioso. A cada visita constato que o nosso país é repleto de recantos que seduzem os visitantes. Foram vários os locais que percorri e que ainda não tive oportunidade de partilhar, assim vou retomar a narração das visitas realizadas pelo nosso país.

Um dos locais imperdíveis é a cidade de Braga. Braga situa-se no coração da verdejante região do Minho, no Noroeste de Portugal, rodeada por uma paisagem magnífica. A cidade, um dos maiores centros religiosos de Portugal, é reconhecida pelas suas igrejas barrocas, pelos esplêndidos solares do século XVIII e pelos belos parques e jardins.

Esta cidade era conhecida no tempo dos romanos como Bracara Augusta e sede do episcopado português no século XII. Também é igualmente conhecida hoje em dia pela “Cidade dos Arcebispos” ou mesmo pela “Roma Portuguesa”.

As ruínas de Bracara Augusta, uma cidade fundada pelo Imperador Augusto entre 300 e 400 a.C., ainda hoje subsistem. Bracara Augusta tornou-se a capital romana do norte da Ibéria e foi posteriormente ocupada pelos Visigodos e Árabes. Desde a década de 1970, foram encetados esforços para preservar as estruturas do complexo arqueológico ainda remanescente.

A longa história de Braga é visível nos seus monumentos e igrejas, a igreja mais imponente é a Sé, que exibe vários estilos, do romano ao barroco, orgulhando-se também das esplêndidas casas, particularmente do século XVIII.

A catedral de Braga é a mais antiga de Portugal, esta contém inúmeros tesouros de arte sacra. A construção teve início em 1070 e foi influenciada por diversos estilos, como o Gótico, o Renascimento e o Barroco. Os seus elementos mais relevantes são as torres sineiras e o tecto manuelino, bem como o altar esculpido e os órgãos barrocos. Os túmulos de Dom Henrique e Dona Teresa, pais do primeiro rei de Portugal, encontram-se na Capela dos Reis.
Fiquei fascinada com os órgãos de tubos desta catedral.




Depois de visitarmos a Sé da cidade continuamos o nosso percurso e cruzamo-nos com o Jardim de Santa Bárbara datado do século XVII, esta praceta ajardinada fica perto do antigo Palácio Episcopal e contém flores coloridas, plantas luxuriantes e belos arbustos esculpidos.



Percorremos as ruas históricas da cidade de deparamo-nos com o Largo do Paço, situado no centro histórico de Braga, é constituído por um conjunto de edifícios que foram a antiga residência dos Arcebispos, conhecida como Paço Episcopal Bracarense.
Este é constituído por quatro edifícios, onde actualmente se situa o Salão Nobre da Universidade do Minho, a Biblioteca Pública de Braga e o Arquivo Municipal. Neste local também se encontra o pelourinho da cidade.



Continuando o nosso percurso encontramos o Arco da Porta Nova, a porta de entrada da cidade de Braga. Esta "nova" porta da cidade foi aberta em 1512, no tempo de Arcebispo D. Diogo de Sousa. A construção desta porta marca o momento em que a cidade saiu das suas muralhas e começou a crescer para o seu exterior.



Percorrendo as ruas da cidade fomos descobrindo vários monumentos, entre eles o Palácio do Raio, ou Casa do Mexicano é um palácio construído em 1754-55, por encomenda de João Duarte de Faria, poderoso comerciante de Braga, é um dos mais notáveis edifícios de arquitectura civil da cidade de Braga, em estilo barroco joanino. O palácio foi vendido em 1853, por José Maria Duarte Peixoto, a Miguel José Raio, visconde de São Lázaro, ficando conhecido como Palácio do Raio. Actualmente pertence à Santa Casa da Misericórdia de Braga e está classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1956.





No centro histórico da cidade deparamo-nos com várias igrejas que representam o centro religioso de Portugal. Entre elas a igreja de Santa Cruz, construída no século XVII, que exibe uma intrincada fachada de pedra em estilo barroco maneirista. O interior elaborado inclui um órgão e púlpitos com talha dourada, uma nave muito alta e belíssimos painéis de azulejos.
A Igreja do Pópulo está incluída no Convento do Pópulo e onde se venera a imagem da virgem da Igreja de Santa Maria del Popolo em Roma. A construção de todo o conjunto arrastou-se pelos séculos XVI ao XIX.
Também visitamos a Capela dos Coimbras de provável origem românica, a capela de traça gótica que hoje observamos remonta a 1528, tendo sido edificada no consulado do Arcebispo D. Diogo de Sousa, por artistas da Biscaia, contratados por este prelado, para a execução de diversas obras na cidade medieval de Braga.




O património religioso e cultural não se reúne apenas na zona central da cidade, mas também em seus arredores.

Fora da zona histórica da cidade, situado numa colina a cerca de 5 km a sudeste ergue-se o Santuário do Bom Jesus do Monte, um importante local de peregrinação. Este santuário é considerado um dos mais belos de Portugal. A igreja neoclássica, rodeada por magníficos jardins, foi projectada por Carlos Amarante em finais do século XVIII. A famosa escadaria barroca serpenteia até à igreja, com encantadoras fontes e estátuas ao longo do percurso. Os visitantes podem optar por apanhar o funicular ou conduzir até ao topo para desfrutar das vistas esplêndidas. Num patamar médio, encontra-se o primeiro miradouro, do qual se avista a cidade de Braga e paisagem envolvente.








A atração deste local não se fica pelo santuário, mas também pelos seus jardins, espelhando um espaço místico, envolvido por árvores centenárias e por uma riqueza espiritual.





Também visitamos o Monte do Sameiro, onde uma estátua colossal de Nossa Senhora vigia atenta a cidade O Santuário do Sameiro, cuja construção se iniciou em meados do séc. XIX, é o centro de maior devoção mariana em Portugal, depois de Fátima. O Templo, concluído no nosso séc., destaca-se no seu interior o altar-mor em granito branco polido, bem como o sacrário de prata. Em frente do Templo ergue-se um imponente e vasto escadório, no topo do qual se levantam dois altos pilares, encimados da Virgem e do Coração de Jesus.




Outra atracção desta cidade é a igreja e mosteiro de Tibães, considerado um dos mais ricos e poderosos mosteiros do norte de Portugal. A fundação deste monumento, é anterior à nacionalidade, sofreu dura e implacavelmente as vicissitudes do tempo e dos homens. Nos finais do século XI, foi fundado o mosteiro românico, que recebeu em 1110, Carta de Couto, doada pelo conde D. Henrique. Em 1567 tornou-se Casa-mãe da Congregação de São Bento de Portugal e do Brasil. Comprado pelo Estado Português em 1986, vazio e em avançado estado de degradação, iniciou-se então a sua recuperação e dinamização cultural.
Realizamos uma visita guiada a este esplêndido monumento histórico, onde enriquecemos os nossos conhecimentos históricos.








Por fim, visitamos a Citânia de Briteiros, situada nos arredores da cidade. Este é um impressionante local arqueológico da Idade do Ferro, considerado um dos locais arqueológicos mais bem preservados da região do Minho. Neste encontram-se os vestígios de um castro celto-ibérico que remonta a 300 a.C. Os arqueólogos descobriram as fundações de mais de 150 construções de pedra, estradas pavimentadas, currais e condutas de água e duas das casas foram reconstruídas no local.

A visita à cidade e seus arredores foi realizada em vários dias e através desta reconhecemos que os belos e elaborados jardins, elegantes casas senhoriais e palacetes e todo este legado barroco conferem a Braga uma imagem única, característica da região Minhota.

15 de novembro de 2011

Big Fish


Julgava que já tinha assistido a todos os filmes do realizador Tim Burton, quando numa conversa com uma amiga descobri que existia um filme que não conhecia – Big Fish. Prontifiquei-me de imediato a ver o filme e fiquei deliciada.

O filme retrata a luta entre a verdade e a mentira, entre a realidade e a ficção, Tim Burton lida com a fantasia como se esta fosse parte integrante do nosso quotidiano.

William cresceu no meio de uma bruma de histórias fantasiosas e plenas de personagens ficcionais com que o pai lhe dava a conhecer a sua vida, como se de uma longa aventura se tratasse. Quando, na adolescência, descobriu que nada daquilo poderia ter alguma vez existido, abre-se um fosso de incompreensão entre os dois. Will procura ter uma conversa com o pai para conhecer a "verdadeira" versão da vida dele. Ao longo do filme, Will descobre que, embora exagerada, a fantasia do pai tem como fonte a própria realidade. Assim, quando Edward está prestes a morrer, Will finalmente adere à mentalidade do pai e narra uma história fantasiosa sobre a sua morte. A despedida tem como tema a fronteira entre realidade e fantasia.

O título do filme flui da pequena história citada no início do filme, segundo a qual o peixe dourado confinado ao espaço do aquário adquire um tamanho pequeno, porém poderia crescer até quatro vezes o seu tamanho se tivesse a oportunidade de crescer em liberdade. Edward Bloom é esse peixe, que deixa a sua pequena cidade e sai pelo mundo, para poder crescer. Contudo, esse peixe podemos ser cada um de nós, através da imaginação podemos nos libertar da realidade, navegando pela imensidão da fantasia.

Este filme reflete fantasia, perseverança, emoção, determinação e esperança.



14 de novembro de 2011

Lourdes


A finalizar o nosso percurso por França visitamos a cidade de Lourdes.

Lourdes é uma cidade situada no departamento dos Altos Pirenéus. Situa-se entre a planície e a montanha.



O nosso objetivo era visitar o santuário de Lourdes, quando lá chegamos já estava a anoitecer e fiquei surpresa pelo movimento que se encontrava àquela hora. O santuário está situado num local belíssimo, rodeado de verde, montes e abarcado pelo rio.







A história da cidade narra que numa pequena gruta junto ao rio Gave, terá alegadamente aparecido algumas vezes a Virgem Maria a uma menina de nome Bernadette Soubirous (1858). Após comprovações da Igreja Católica das aparições, Lourdes tornou-se uma das localidades de maior destaque em toda a França. Hoje em dia, o Santuário de Lourdes é um dos maiores centros de peregrinação do mundo católico, à semelhança de Fátima em Portugal.




O Santuário é grandioso e compreende várias capelas, igrejas e locais de recolhimento e oração. Neste local estava bem presente a fé das pessoas e o calor humano que abraçava cada um de nós.






A Basílica Nossa Senhora do Rosário foi construída trinta anos depois da primeira aparição e é dedicada à Santa Rosário em honra da Santíssima Virgem. Isso, porque a Imaculada Conceição aparecia sempre a Bernadette com um terço na mão, lembrando da importância e da necessidade de se rezar o rosário. Esta foi construída exatamente em cima da gruta onde a virgem apareceu a Bernadette.







Além do Santuário, é possível visitar em Lourdes outros pontos de peregrinação ligados à vida de Bernadette.

Também visitamos o Chateaux Forte, uma fortaleza considerada monumento histórico e museu da França. Este local oferece uma vista excepcional da cidade, dos Santuários e dos Pirineus. Porém, como já tinha anoitecido não conseguimos desfrutar de forma clara da vista para os Pirineus.



Não só o património religioso atrai os turistas a esta cidade, mas também o património natural, uma vez que a cidade fica localizada em plenos Pirenéus.

No caminho de regresso a Portugal atravessamos o Parque Nacional dos Pirineus, uma experiência que vai ficar marcada, pelo medo que senti em pleno breu da noite percorrendo aquelas estradas enlaçadas pelo nevoeiro.

Considero esta viagem por França inesquecível, as cidades que percorremos e os monumentos que visitamos remeteram-nos para tempos longínquos, contribuindo para a vivencia de experiências jamais esquecidas.

13 de novembro de 2011

Vale do Loire



"A Verdadeira viagem não está em sair à procura de novas paisagens, mas em possuir novos olhos"
(Marcel Proust )


O vale do rio Loire situa-se no centro de França e é conhecido pelos seus belos castelos, muitos dos quais ficam em pequenas e charmosas cidades. Este é classificado pela Unesco, como Património Mundial.

A paisagem do Vale do Loire, e mais particularmente nos seus muitos monumentos culturais, ilustra um grau excepcional dos ideais do Renascimento e do Iluminismo na Europa Ocidental. O Vale do Loire é uma excelente paisagem cultural de grande beleza, contendo, vilas e aldeias históricas, grandes monumentos arquitetónicos, os seus muitos castelos e os seus vinhos.

O extraordinário número de castelos no Vale do Loire explica-se pelo fato de a região ter sido um dos locais favoritos dos reis e da aristocracia francesa desde a Idade Média. Os castelos mais antigos são medievais e foram fortalezas, enquanto os mais recentes são palácios renascentistas e clássicos, destinados ao lazer e rodeados de magníficos jardins.

O Vale do Loire é famoso também pela culinária e pelos vinhos. Diversas vinícolas são abertas para degustação dos seus vinhos.

Após abandonarmos a cidade de Tours decidimos percorrer alguns dos castelos que fazem parte deste vasto património histórico e cultural. Cruzamo-nos com cenários dignos de contos de fadas.

Começamos a visita pelo Castelo de Chambord, enorme, imponente e talvez o mais deslumbrante palácio renascentista do Vale do Loire. Foi habitado por reis como Francisco I e foi construído entre 1519 e 1547 com 440 divisões, num estilo renascentista magnífico com escadaria dupla, supostamente desenhada por Leonardo da Vinci que visitou o Castelo durante a sua construção. O castelo conta ainda com 365 lareiras e estábulos com capacidade para 1200 cavalos.
Considero este castelo magnífico, localizado numa reserva nacional de fauna selvagem e situado às margens do rio Clossom. 








Em seguida dirigimos para o Castelo Chenonceau que se estende em cima do Rio Cher como uma ponte, numa grandiosidade sumptuosa suportada nos seus arcos sobre o rio. Foi originalmente construído em 1521 por Thomas Bohier. É nomeado por palácio das mulheres, porque foi habitado por Diana de Poitiers e Catarina de Médicis. Por dentro, é todo decorado e mobiliado como na época em que foi habitado e contém muitas obras de arte. Um dos lugares mais interessantes é a sua cozinha. Os jardins, um criado por Diana e outro por Catarina (respectivamente, amante e mulher do rei Henrique II) foram recentemente recuperados.


Imagem retirada do site: http://www.beminparis.com.br/page_17.html




Depois de contemplar tal beleza, continuamos o nosso percurso até chegarmos ao Castelo de Azay-le Rideau, que foi construído no século XVI por Philippa Lesbahy mulher de um rico governante da época. Foi criado para ser desfrutado durante o verão e apesar de ter características góticas, as torres e os fossos são apenas decorativos. Este gracioso castelo renascentista encontra-se literalmente no meio do rio, situado num belo parque. Foi fantástico observar a beleza deste castelo, foi como se fizéssemos parte de uma história de conto de fadas.








Por fim, visitamos o Castelo de Ussé, construído no séc. XV e situado às margens do rio Indre. Este teria inspirado Charles Perrault a escrever “A Bela Adormecida”. Com as suas belas torres e os seus jardins floridos, é mais um castelo com cenário de um conto de fadas.




Considero o Vale do Loire a região mais poética da França, com os seus castelos encantadores, o verde que envolve os monumentos e os rios que cruzam os mesmos refletem cenários românticos dignos de postais.