9 de julho de 2011

Montpellier


Após a visita a Sète o nosso próximo destino foi Montpellier.

Montpellier é uma cidade francesa com mais de mil anos de história e com uma arquitectura que mescla o antigo e o moderno. É a capital do departamento Hérault e da região francesa do Languedoc-Roussillon. O nome Montpellier provém de mont pelé, o monte pelado, em função de sua escassa vegetação.

Ao longo das margens do Mar Mediterrâneo no sul da França, Montpellier surge como uma cidade viva e surpreendente. As pessoas são atraídas para esta cidade pela vida cultural intensa que podem viver neste local.

Esta cidade é conhecida internacionalmente pelas faculdades de medicina, cuja longa tradição remonta à Idade Média.

É um exemplo de urbanismo controlado único na Europa, construída pelos maiores arquitectos internacionais, é um destino que concentra 1.000 anos de história: mais de 70 pátios de residências particulares do século XVI ao século XX, a mais antiga universidade de medicina do mundo ocidental ainda em actividade, ruelas medievais cercadas de lojas onde as grandes marcas internacionais estão lado a lado com pequenas lojas, com todo o charme de outrora.

Em Montpellier consta uma das mais ricas colecções de Belas Artes da Europa, no museu Fabre.

O primeiro impacto que tivemos foi de que se tratava de uma cidade muito movimentada e de grandes dimensões. Começamos pela visita ao centro histórico da cidade.

Um passeio pelo centro histórico, inteiramente pedestre, é uma viagem ao passado.





Cruzamo-nos com o bairro moderno de Antigone, a Place de la Comédie, e o seu teatro de ópera que data do século XVIII, e vários museus.





Visitamos o mikvé medieval (banho ritual judeu datando do século XIII), a torre de la Babate e atravessamos várias ruas e avenidas observando a beleza dos edifícios dos séculos XVII, XVIII e XIX, em particular o Hôtel de Varennes que abriga o Museu da antiga Montpellier.





A cidade de Montpellier guarda as pegadas do tempo que passa e exibe altivamente os símbolos de cada época.

Ao longo do passeio pela cidade percorremos parte do seu património religioso, foram vários os templos por onde passamos e visitamos.





São várias as atracções da cidade, uma dela é a Catedral St Pierre e a Tour des Pins.

A Catedral St Pierre, do séc. XVI, é uma catedral romana e é considerado um monumento nacional em França.



Ao lado da Catedral situa-se a Faculdade de Medicina, a mais antiga do mundo ocidental e o seu Museu de anatomia e o jardim botânico.



Subindo a avenida perto da Faculdade de Medicina, encontramos o arco do Triunfo de Montpellier, em frente ao arco situa-se a praça real de Peyrou e o aqueduto Saint-Clément.





O jardim real de Peyrou é fascinante e neste podemos encontrar o Château d'eau du Peyrou, este edifício foi construído no século XVII por Pitot para distribuir água potável a partir da fonte do Leze, na continuidade deste monumento encontramos também o aqueduto Saint-Clément.







  Outra grande atracção da cidade é o Museu Fabre, considerado como um dos mais belos museus de belas artes, é um monumento de excepção associado à arquitectura antiga e à moderna. Das criações europeias da Renascença às obras contemporâneas, podemos encontrar obras-primas de artistas, pintores de renome como Fabre, Courbet ou Soulages, pintores impressionistas como Monet, Manet, Bazille, Renoir, entre outros.

Montpellier é o lugar de estadia ideal para descobrir uma cidade em plena ebulição e lugares que figuram entre os mais prestigiosos do património mundial.

Sète

Depois de um dia cheio de aprendizagens, emoções e contentamentos descansamos no seio da família, de forma a recuperarmos forças para a descoberta do dia seguinte.

Começamos um novo dia com a visita à cidade de Sète.
Sète, a Veneza do Languedoc, recebeu esta designação graças aos vários canais que a rodeiam.

O canal real atravessa Sète e une as águas do Mediterrâneo às da lagoa de Thau. Permite assim ao canal do Midi, que atravessa a lagoa de Thau, desaguar no Mediterrâneo. Assim é chamada de porta para o mar do Mediterrâneo, por ser aqui que termina o Canal du Midi.



Sète circunda uma colina solitária, monte Saint Clair, entre a lagoa de Thau, o mar e os canais, é considerado um dos maiores portos do Mediterrâneo.                  

O seus portos, localizados no coração da cidade, proporcionam a Sète toda a sua singularidade, cargueiros, navios de cruzeiro e transbordadores cruzam-se no porto de comércio, o segundo do mediterrâneo francês.


Sète é considerada a cidade mais fascinante na costa mediterrânea francesa.           

Ao percorrermos o porto de Sète constatamos que este é muito movimentado, as esplanadas e os restaurantes são a atracção local. 



 Constatamos também que na cidade o canal Royal tem um papel de Praça Pública. Não só a cidade cresceu em torno dele como também se tornou num local de espectáculos.

O porto pesqueiro, situado em pleno coração da cidade, está rodeado pelas fachadas coloridas que são reflectidas nas águas do Mediterrâneo.

Actualmente, a frota de pesca de Séte é a mais recente e mais bem equipada do Mediterrâneo.

As traineiras e os atuneiros atracam ao longo do cais da Marina, que acolhe também os restaurantes onde a gastronomia local, os peixes do Mediterrâneo e os moluscos da lagoa de Thau são a prata da casa.

Entre as 2 pontes, no chamado Cadre Royal, são disputados, desde 1666, e durante todo o Verão, os muito famosos torneios de Justas náuticas, nos barcos que mostra a seguinte imagem: 



Sète é, em suma, uma cidade repleta de movimento, onde podemos usufruir de uma bela paisagem, sentados numa das muitas esplanadas localizadas em frente ao canal.

8 de julho de 2011

Conques

Após percorrermos os encantos da vila de Salles Source, continuamos o percurso até a aldeia de Conques.

A aldeia medieval de Conques, em Marcillac, é uma povoação construída ao redor da abadia de Saint Foy, é considerada uma das aldeias mais belas de França.

Esta vila remonta à Idade Média e foi fundada por Saint Amadour, tendo a sua origem numa ermida.






No planalto ondulante composto por xisto, os afluentes dos rios abriam vales sinuosos e profundos, onde se enquadra esta encantadora aldeia.

As encostas íngremes, os afloramentos rochosos, as cores das casas castanhas espelham uma paisagem digna de ser admirada. 





As palavras não são suficientes para descrever o que senti quando avistei a aldeia ao longe. Comecei a percorrer as suas ruas e o entusiasmo crescia de uma forma fulminante – estava perante uma vila miraculosamente preservada, considera a mais bela de França.






Passamos pelo Posto de Turismo, instalado numa casa senhorial, muito bem preservada, como todas as envolventes e recolhemos um mapa da vila.

Usando passo a passo o mapa da vila, descobrimos a história de Conques, passeamos pelas ruas estreitas descobrindo um património excepcional de arquitectura herdada da Idade Média e fizemos uma viagem no tempo, até ao ano 1000, desvendando locais naturais deslumbrantes.  





Subimos as suas ruas que conservam a calçada da época medieval e encontramos a Chapelle Saint-Roch, cuja construção actual data do séc. XV. Continuámos a subida e atravessámos a Porte du Barry. Um pouco mais acima desembocámos na Place de l'Église, onde se localiza a Abadia Sainte-Foy de arquitectura romana, que surpreende pela sua elevada altura interior. Esta é uma das mais velhas igrejas romanas de peregrinação do Caminho de Santiago.



Esta abadia acolhe um tesouro incomparável de esculturas romanas, e um relicário coberto com ouro e prata, esmaltes e pedras preciosas.

A abadia foi classificada pela UNESCO como Património Mundial, em 1998, como parte do Património Mundial das Rotas de Santiago de Compostela, na França. 




Esta foi fundada em 819 d.c, quando a área de floresta era desabitada e tornou-se um local de oração e meditação. O local foi escolhido por um eremita chamado Dadon, que mais tarde fundou uma comunidade de monges beneditinos.

O interior da igreja da abadia de Conques é um conjunto de contemplação, simplicidade e emblemas da fé. Esculturas modernas foram colocadas nas capelas menores, bem como as mais tradicionais nos altares. 



 Os claustros perderam muito do seu esplendor original, mas a sua natureza manteve-se. Pelo meio dos claustros visitamos o Tresor - um tesouro de ouro e pedras preciosas, artisticamente esculpidas e decoradas em artefactos religiosos, incluindo as relíquias de Sainte Foy, crucifixos e altares.

Poucos lugares na França, ou mesmo na Europa pode orgulhar-se de tal acumulação de riqueza - a abadia românica e o seu tímpano famoso do Juízo Final, os restos do claustro com o candelabro, o tesouro das jóias, o museu, e finalmente a vila mantida intacta através dos séculos.

Em Conques, há uma série de mirantes naturais onde podemos observar a aldeia a ser abraçada pelos montes verdejantes:
 - no sul, podemos mirar a aldeia através de Bancarel, avistando casa por casa,
- no norte, encontramos uma série de pontos altos, por exemplo das vinhas, observamos a igreja e os telhados da aldeia de xisto de prata.           



Considero que a aldeia de Conques foi a descoberta que mais me encantou no itinerário pelo sul de França, a viagem no tempo que realizei naquele espaço deslumbrante fomentou vivencias memoráveis.

7 de julho de 2011

Salles Source


Após a visita a Albi, a descoberta continuou a caminho de Conques, o percurso percorrido foi longo, uma vez que fomos pelo interior de vilas e aproveitamos este facto para desfrutar das belas paisagens que nos iamos deparando. A chegar a Conques, lá no fundo da estrada observamos uma vila embrenhada em penhascos rochosos, o que nos despertou interesse.




Em vez de seguirmos caminho, subimos até a vila e deparamo-nos com uma bela paisagem natural – uma cascata situada no meio da vila. Antes de observarmos a cascata vimos uma placa que identificava a vila – Salles Source.



Salles-la-Source é uma comunidade francesa, localizada no departamento de Aveyron nos Midi-Pyrénées.

Situada num anel de penhascos rochosos, a vila de Salles la Source é distribuída por três níveis e é atravessada por uma linda cascata que flui mais de 20 m, alimentada por rios subterrâneos.





A vila de Salles-la-Source é provavelmente a mais pitorescos do departamento de Aveyron. Dividida em nove aldeias é caracterizada pela sua riqueza natural. Nomeadamente, a cascata situada no meio da aldeia, que atrai milhares de turistas, invadindo a tranquilidade da povoação local.




Esta cascata é alimentada por um rio subterrâneo que flui desde o advento da Vayssière Tindoul. O rio é constituído por vários braços, um dos quais foi capturado a partir do século XVII para girar uma roda localizada numa das engrenagens.
Considero esta cascata impressionante, devido à sua localização, no coração da vila, e pela capacidade de esta formar uma pequena piscina natural.

Esta aldeia também é caracterizada pela dezena de antas e vestígios arqueológicos que estão presentes na vila.

Encontramos alguns monumentos também dignos de serem apreciados como por exemplo a igreja romana de Saint Paul.



Rica em história e em património cultural e natural, Salles-la-Source é uma vila que não deve deixar de visitar, um dia que realize um itinerário por Midi-Pyrénées.

Albi

Após visitarmos Castres, o nosso próximo destino já estava delineado: a cidade de Albi, situada nos médios-pirineus.
Albi é uma comuna francesa do departamento do Tarn na região de Midi-Pyrénées.

Esta cidade é apelidada de cidade vermelha (em francês ville rouge).

A antiga cidade de Albi, é um rico conjunto arquitectural e urbano medieval que não tem sofrido mudanças essenciais ao longo dos séculos e do qual testemunham hoje ainda o Pont-Vieux, a cidade de Saint-Salvi e a sua igreja.

Ao século XIII, a cidade tornou-se uma potente cidade episcopal depois da cruzada Albigeois contra os Cathares: a catedral fortificada que domina a cidade de estilo gótico meridional original e o palácio episcopal do Berbieque  ilustram a potência reencontrada do clero romano.

A arquitectura da cidade é romana e gótica. Tem imensos espaços de lazer, museus e comércio.

A cidade episcopal de Albi foi classificada como Património Mundial, classificado pela UNESCO.

Às margens do Rio Tarn, Albi apresenta-se com as suas ruas estreitas de estilo medieval, com as suas casinhas de tijolo, floreiras nas janelas e portas coloridas.

Senti imenso prazer em vagear por estas ruas pitorescas de Albi velha, praticamente intactas desde a Idade Média. As casas senhoriais que nos cruzavamos mantinham-se intactas no tempo.



No percurso pela cidade velha fomos encontrando vários edifícios pictóricos, entre eles: Reynes Hotel, que tem um pátio com duas galerias, uma torre de canto do século XIV, e janelas decoradas com sereias. O meu favorito é a Maison du vieil Alby uma casa de estilo medieval de tijolo e madeira.




Todas as ruelas desembocam no centro da cidade, na imponente Catedral Sainte-Cécile construída entre os séculos XIII e XVI.



A Cathédrale de Sainte-Cécile é uma aula de história sobre o passado de Albi. Na visita guiada à catedral informaram-nos que a cidade foi o centro do movimento herege cátaro, que dominou o sudoeste francês no século XII e provocou a ira da igreja, dando origem a cruzadas sangrentas que destruíram cidades inteiras da região no século seguinte. A catedral foi erguida logo após a reconquista da cidade, como símbolo do poder católico.




O seu interior é majestoso, e cheios de pormenores que devem ser assimilados no seu devido tempo.






Perto da catedral encontramos o Palácio Berbie, construído no séc. XIII, uma fortificação que abriga desde 1922 um museu em homenagem a Toulouse-Lautrec.



Passeamos pelos jardins do palácio e contemplamos a vista para a ponte velha da cidade, considerada uma das pontes mais antigas de França.





Em seguida rumamos até à ponte velha, construída em 1035, e atravessamos a mesma com a intenção de encontrar um local para apreciar toda a cidade, classificada como Património da Humanidade, inclusive a sumptuosa catedral.




Considero que o património religioso e cultural da cidade velha de Albi traduz a magnitude da cidade.