8 de julho de 2011

Conques

Após percorrermos os encantos da vila de Salles Source, continuamos o percurso até a aldeia de Conques.

A aldeia medieval de Conques, em Marcillac, é uma povoação construída ao redor da abadia de Saint Foy, é considerada uma das aldeias mais belas de França.

Esta vila remonta à Idade Média e foi fundada por Saint Amadour, tendo a sua origem numa ermida.






No planalto ondulante composto por xisto, os afluentes dos rios abriam vales sinuosos e profundos, onde se enquadra esta encantadora aldeia.

As encostas íngremes, os afloramentos rochosos, as cores das casas castanhas espelham uma paisagem digna de ser admirada. 





As palavras não são suficientes para descrever o que senti quando avistei a aldeia ao longe. Comecei a percorrer as suas ruas e o entusiasmo crescia de uma forma fulminante – estava perante uma vila miraculosamente preservada, considera a mais bela de França.






Passamos pelo Posto de Turismo, instalado numa casa senhorial, muito bem preservada, como todas as envolventes e recolhemos um mapa da vila.

Usando passo a passo o mapa da vila, descobrimos a história de Conques, passeamos pelas ruas estreitas descobrindo um património excepcional de arquitectura herdada da Idade Média e fizemos uma viagem no tempo, até ao ano 1000, desvendando locais naturais deslumbrantes.  





Subimos as suas ruas que conservam a calçada da época medieval e encontramos a Chapelle Saint-Roch, cuja construção actual data do séc. XV. Continuámos a subida e atravessámos a Porte du Barry. Um pouco mais acima desembocámos na Place de l'Église, onde se localiza a Abadia Sainte-Foy de arquitectura romana, que surpreende pela sua elevada altura interior. Esta é uma das mais velhas igrejas romanas de peregrinação do Caminho de Santiago.



Esta abadia acolhe um tesouro incomparável de esculturas romanas, e um relicário coberto com ouro e prata, esmaltes e pedras preciosas.

A abadia foi classificada pela UNESCO como Património Mundial, em 1998, como parte do Património Mundial das Rotas de Santiago de Compostela, na França. 




Esta foi fundada em 819 d.c, quando a área de floresta era desabitada e tornou-se um local de oração e meditação. O local foi escolhido por um eremita chamado Dadon, que mais tarde fundou uma comunidade de monges beneditinos.

O interior da igreja da abadia de Conques é um conjunto de contemplação, simplicidade e emblemas da fé. Esculturas modernas foram colocadas nas capelas menores, bem como as mais tradicionais nos altares. 



 Os claustros perderam muito do seu esplendor original, mas a sua natureza manteve-se. Pelo meio dos claustros visitamos o Tresor - um tesouro de ouro e pedras preciosas, artisticamente esculpidas e decoradas em artefactos religiosos, incluindo as relíquias de Sainte Foy, crucifixos e altares.

Poucos lugares na França, ou mesmo na Europa pode orgulhar-se de tal acumulação de riqueza - a abadia românica e o seu tímpano famoso do Juízo Final, os restos do claustro com o candelabro, o tesouro das jóias, o museu, e finalmente a vila mantida intacta através dos séculos.

Em Conques, há uma série de mirantes naturais onde podemos observar a aldeia a ser abraçada pelos montes verdejantes:
 - no sul, podemos mirar a aldeia através de Bancarel, avistando casa por casa,
- no norte, encontramos uma série de pontos altos, por exemplo das vinhas, observamos a igreja e os telhados da aldeia de xisto de prata.           



Considero que a aldeia de Conques foi a descoberta que mais me encantou no itinerário pelo sul de França, a viagem no tempo que realizei naquele espaço deslumbrante fomentou vivencias memoráveis.

7 de julho de 2011

Salles Source


Após a visita a Albi, a descoberta continuou a caminho de Conques, o percurso percorrido foi longo, uma vez que fomos pelo interior de vilas e aproveitamos este facto para desfrutar das belas paisagens que nos iamos deparando. A chegar a Conques, lá no fundo da estrada observamos uma vila embrenhada em penhascos rochosos, o que nos despertou interesse.




Em vez de seguirmos caminho, subimos até a vila e deparamo-nos com uma bela paisagem natural – uma cascata situada no meio da vila. Antes de observarmos a cascata vimos uma placa que identificava a vila – Salles Source.



Salles-la-Source é uma comunidade francesa, localizada no departamento de Aveyron nos Midi-Pyrénées.

Situada num anel de penhascos rochosos, a vila de Salles la Source é distribuída por três níveis e é atravessada por uma linda cascata que flui mais de 20 m, alimentada por rios subterrâneos.





A vila de Salles-la-Source é provavelmente a mais pitorescos do departamento de Aveyron. Dividida em nove aldeias é caracterizada pela sua riqueza natural. Nomeadamente, a cascata situada no meio da aldeia, que atrai milhares de turistas, invadindo a tranquilidade da povoação local.




Esta cascata é alimentada por um rio subterrâneo que flui desde o advento da Vayssière Tindoul. O rio é constituído por vários braços, um dos quais foi capturado a partir do século XVII para girar uma roda localizada numa das engrenagens.
Considero esta cascata impressionante, devido à sua localização, no coração da vila, e pela capacidade de esta formar uma pequena piscina natural.

Esta aldeia também é caracterizada pela dezena de antas e vestígios arqueológicos que estão presentes na vila.

Encontramos alguns monumentos também dignos de serem apreciados como por exemplo a igreja romana de Saint Paul.



Rica em história e em património cultural e natural, Salles-la-Source é uma vila que não deve deixar de visitar, um dia que realize um itinerário por Midi-Pyrénées.

Albi

Após visitarmos Castres, o nosso próximo destino já estava delineado: a cidade de Albi, situada nos médios-pirineus.
Albi é uma comuna francesa do departamento do Tarn na região de Midi-Pyrénées.

Esta cidade é apelidada de cidade vermelha (em francês ville rouge).

A antiga cidade de Albi, é um rico conjunto arquitectural e urbano medieval que não tem sofrido mudanças essenciais ao longo dos séculos e do qual testemunham hoje ainda o Pont-Vieux, a cidade de Saint-Salvi e a sua igreja.

Ao século XIII, a cidade tornou-se uma potente cidade episcopal depois da cruzada Albigeois contra os Cathares: a catedral fortificada que domina a cidade de estilo gótico meridional original e o palácio episcopal do Berbieque  ilustram a potência reencontrada do clero romano.

A arquitectura da cidade é romana e gótica. Tem imensos espaços de lazer, museus e comércio.

A cidade episcopal de Albi foi classificada como Património Mundial, classificado pela UNESCO.

Às margens do Rio Tarn, Albi apresenta-se com as suas ruas estreitas de estilo medieval, com as suas casinhas de tijolo, floreiras nas janelas e portas coloridas.

Senti imenso prazer em vagear por estas ruas pitorescas de Albi velha, praticamente intactas desde a Idade Média. As casas senhoriais que nos cruzavamos mantinham-se intactas no tempo.



No percurso pela cidade velha fomos encontrando vários edifícios pictóricos, entre eles: Reynes Hotel, que tem um pátio com duas galerias, uma torre de canto do século XIV, e janelas decoradas com sereias. O meu favorito é a Maison du vieil Alby uma casa de estilo medieval de tijolo e madeira.




Todas as ruelas desembocam no centro da cidade, na imponente Catedral Sainte-Cécile construída entre os séculos XIII e XVI.



A Cathédrale de Sainte-Cécile é uma aula de história sobre o passado de Albi. Na visita guiada à catedral informaram-nos que a cidade foi o centro do movimento herege cátaro, que dominou o sudoeste francês no século XII e provocou a ira da igreja, dando origem a cruzadas sangrentas que destruíram cidades inteiras da região no século seguinte. A catedral foi erguida logo após a reconquista da cidade, como símbolo do poder católico.




O seu interior é majestoso, e cheios de pormenores que devem ser assimilados no seu devido tempo.






Perto da catedral encontramos o Palácio Berbie, construído no séc. XIII, uma fortificação que abriga desde 1922 um museu em homenagem a Toulouse-Lautrec.



Passeamos pelos jardins do palácio e contemplamos a vista para a ponte velha da cidade, considerada uma das pontes mais antigas de França.





Em seguida rumamos até à ponte velha, construída em 1035, e atravessamos a mesma com a intenção de encontrar um local para apreciar toda a cidade, classificada como Património da Humanidade, inclusive a sumptuosa catedral.




Considero que o património religioso e cultural da cidade velha de Albi traduz a magnitude da cidade.

6 de julho de 2011

Castres

Um novo dia nascia e continuamos a descoberta pelo sul de França, começamos o itinerário pela cidade de Castres.

Castres situa-se no sul da França, e está localizada no departamento de Tarn na região Midi-Pyrénées. É o terceiro maior centro industrial da região Midi-Pyrénées.

O nome da cidade surge do latim Castrum que se traduz como lugar fortificado. Castres foi desenvolvida em torno da abadia beneditina de Saint Benoit fundada em 647 a.C.

Durante o século XVI uma das maiores fortalezas protestantes da França foram derrotados por Louis XIII, e as fortificações da cidade de Castres foram desmanteladas pelas forças de Richelieu.

Esta cidade está rodeado por belas paisagens, e no seu meio envolvente podemos encontrar campos repletos de girassóis e palácios encantadores.

A sua grande atracção são as casas situadas à beira rio, com balcões coloridos.





Ao longo do rio Agout estavam localizadas as casas de tecelões, curtidores e tintureiros, uma vez que Castres era especialista pela fabricação de têxteis.

Depois de passearmos à beira rios e de observarmos o encanto das casas coloridas e das pontes ao longo do rio Agout, dirigimo-nos para o centro da cidade, passamos por um mercado localizado na praça principal da cidade.

Em seguida visitamos a Igreja de Saint Benoit, a Câmara Municipal, o antigo Paço Episcopal, que actualmente abriga o Museu Goya, o Carrilhão de la Platé, o Teatro Municipal e o jardim e Parque de Gourjade.







O que mais me atraiu nesta cidade foi o passeio ao longo do rio onde pude desfrutar de uma bela vista e viver momentos de tranquilidade.

5 de julho de 2011

Capendu


Entre a vila de Moux e Carcassonne surge no horizonte uma vila onde podemos observar um aglomerar de casinhas a rodear uma torre pontiaguda, a torre da igreja. No horizonte surge a vila Capendu.



Visitamos Capendu ao anoitecer, numa das visitas que realizamos a outros familiares que vivem no sul de França.

Capendu é considerada a maior aldeia do território de Aude.

Por volta do ano 1000, o centro da comunidade rural que foi fundada em St. Martin foi Capendu. O povoado reúne-se desde o séc. XI em torno do castelo na colina rochosa com vista para a planície.

A presença de vestígios galo-romanos está confirmada em vários lugares desta povoação. As escavações revelam que, desde cedo, os romanos se instalaram no território do município.

As origens medievais da vila estão confirmadas desde o ano de 1063. Em 1063, o lugar onde se erguia o povoado primitivo é referido como "canesuspenso", ou seja "cão suspenso". A etimologia deste mistério ainda está por comprovar.

O nome da vila tem sofrido várias alterações ao longo dos tempos, já se chamou "campo-pendut" (1124), "campenduto" (1151), "campendut" (1222), e por fim "Capendu".
Ao percorrermos as suas ruelas medievais fomos descobrindo algumas atracções como os restos do castelo de Capendu, do ano 1064, os seus vestígios ainda são visíveis na rocha que mantém uma vista privilegiada para a vila.




Também conseguimos observar os restos da capela, do séc. XIII, que serviu por muitos anos como uma igreja paroquial da aldeia. Actualmente encontra-se uma outra igreja, do séc. XIX, a substituir a anterior.


As ruelas estreitas e as casas com portadas azuis claro espelham uma vila acolhedora.





Sempre que percorria o caminho de Moux para Carcassonne avistava ao longe esta vila medieval envolta por montanhas e planícies.