27 de maio de 2011

Cádiz


Cádiz é uma cidade situada no sul de Espanha, virada para o oceano Atlântico. Está rodeada quase na sua totalidade por água e essa característica faz com que pareça isolada do resto do mundo. Cádiz é uma pequena península que se destaca no meio da baía e assim define de forma determinante a paisagem na qual se integra.

Fundada pelos fenícios há 3.000 anos, Cádiz é considerada a cidade mais velha existente no mundo ocidental. Devido à sua localização privilegiada numa península, Cádiz foi uma dos primeiros pontos de ligação da Espanha com o resto do mundo. Também foi desta cidade que Cristóvão Colombo partiu várias vezes rumo às Américas.

Mesmo sendo Cádiz conhecida pelas suas famosas celebrações de Carnaval, a maior atracção da cidade é a sua atmosfera tranquila e descontraída.

A parte antiga da cidade é uma das zonas que mais gostei. Aqui encontram-se monumentos históricos a poucos metros da costa e as ruas estreitas e sinuosas, desembocam em pequenas praças surpreendentes pela sua beleza.



Alguns chamam a Cádiz "La pequeña Habana" devido aos muitos laços históricos que a unem a Cuba. O tráfego marítimo entre ambas as cidades foi bastante intenso durante um grande número de anos, de forma que as duas cidades são parecidas. Relativamente a tal facto, existem inúmeras manifestações, como a  frase de Antonio Burgos: "La Habana es Cádiz con más negritos; Cádiz La Habana con más salero". Também o cinema aproveitou-se de certas semelhanças, tendo as cenas cubanas do filme "James Bond 007 Morre Noutro Dia" sido gravadas em Cádiz.

Percorremos o centro histórico a pé, as atracções turísticas ficam relativamente perto umas das outras.
Começamos a nossa visita pela Catedral de Cádiz. A construção da catedral, localizada na Plaza de la Catedral e de frente para o mar, começou no início do século XVII, mas demorou mais de um século para ser finalizada. Construída em estilo barroco com toques neoclássicos, a catedral é construída toda de pedra e possui uma harmoniosa cúpula dourada.





Subimos ao cimo de uma das torres da Catedral de forma a contemplar a esplêndida paisagem sobre o mar atlântico e apreciar de perto a admirável cúpula dourada. Deste cimo observamos toda a cidade antiga de Cádiz onde podemos apreciar a sua arquitectura árabe.






De seguida percorremos o Bairro Pópulo, este bairro é o coração medieval da cidade e mantém os seus três portões do Séc. XIII. A puerta de Tierra marca a fronteira entre a cidade velha e a Cádiz moderna.



Neste bairro visitamos a Igreja Santa Cruz de estilo gótico.




Rumamos até ao Teatro Romano, mas este encontrava-se em restauro, logo não o podemos visitar.

A fome apertou e decidimos almoçar na praça da Catedral, saboreamos uma iguaria tradicional – Paelha – observando o movimento da praça e a imponente catedral.

De seguida embrenhamo-nos pelas ruelas estreitas e singulares da cidade e passamos por vários monumentos históricos. O Hospital de las Mujeres um exemplo clássico da arquitectura barroca, com amplos pátios e uma escada imperial. A Plaza de Mina Rodeada, com espectaculares edifícios de estilo colonial. O Oratório de la Santa Cueva, de estilo neoclássico, onde consta no seu interior, três quadros de Francisco de Goya, datados de 1975.


São também atracções turistas na cidade a Torre Tavira, de estilo barroco, foi no passado a torre vigia oficial do porto de Cádiz. O bairro tradicional La Viña que é sede principal do Carnaval e é caracterizado pela boa gastronomia e pela alegria nas ruas. E o Parque Genovés considerado o parque mais famoso da cidade, situado na Alameda Apodaca, na parte antiga de Cádiz.

Aproveitamos o facto de a cidade ser rodeada pelo mar para usufruímos de um passeio à beira mar, percorrendo a baía e admirando a paisagem espectacular para a cidade antiga.



A cidade de Cádiz apesar de ser uma cidade agitada e moderna tem a vantagens de conservar os prazeres de uma cidade pequena. Esta estabelece uma impressionante combinação de arquitectura, paisagem e história.

26 de maio de 2011

Jerez de la Frontera


A cidade de Jerez de la Frontera é um Município de Espanha, que faz parte da província de Cádiz.

Jerez de la Frontera é rica em história e tradição, embora seja ainda mais conhecida pelo vinho Jerez que produz.

Hoje em dia, a cidade é uma mistura dinâmica de edifícios novos e antigos. Alguns dos locais mais atraentes situam-se na parte antiga da cidade.



O bairro cigano é dos mais antigos da Andaluzia, as suas ruas são estreitas e sinuosas. Ao longo do passeio pela cidade antiga admiramos praças encantadoras e palácios renascentistas. Evidentemente, o flamenco é muito importante no Bairro de Santiago e em toda a cidade de Jerez. A Fundación Flamenca de Andalucía tem a sua principal sede neste local.

O Museu dos Relógios é outra das atracções da cidade. As casas nas quais está instalado são das mais antigas da Europa.

Jerez está fortemente ligada à criação de cavalos. Ainda hoje, são utilizados os métodos mais tradicionais. Diz-se que os melhores cavalos de raça em Espanha foram criados nesta cidade. A Real Escuela Ecuestre de Jerez tem prestígio internacional, recebendo visitantes de todo o mundo, que ficam maravilhados com os exemplares que aqui contemplam.

Uma vez por ano realiza-se uma prova do Grande Prémio de Motociclismo no Circuito de Jerez. Durante cerca de quatro dias reúnem-se na cidade milhares de adeptos deste desporto, tornando o ambiente eufórico.

O património religioso da cidade surpreendeu-me, na medida que nos deparamos com várias igrejas todas elas imponentes (Cartuja Santa María de la Defensión, San Dionisio, San Juan de los Caballeros, Santiago, Santísima Trinidad).



As que mais me fascinaram foi a igreja San Miguel e a Catedral de Jerez.

A igreja San Miguel é de estilo gótico isabelino. A igreja remonta ao séc. XV e XVI e está localizada em um dos bairros ciganos da cidade de Jerez.






A construção da Catedral de Jerez teve início em 1695 e situa-se na mesquita original de Jerez e antiga Igreja do Salvador.

O sino da torre está localizado na parte externa e possivelmente foi construído sobre o minarete da mesquita. O templo rectangular tem cinco naves em seu espaço que integra a estrutura de uma cruz latina. É também o epicentro das celebrações religiosas da cidade.




Outra das atracções da cidade é o conjunto monumental do Alcázar e da Câmara Oscura.
Este palácio data do séc. XII, foi reformado no séc. XV e modificado no séc. XVIII e XX. Actualmente, mantém muito de sua construção original. De planta quadrada, a sua construção é de origem almohade, construída no século XII, foi sede dos governadores cristãos após a queda da cidade nas mãos de Alfonso X.


Os espaços que me surpreenderam no Alcázar foram a mesquita de Santa María la Real, os Banhos Árabes, o lagar de azeite e os belos jardins.




No interior do Alcázar também são de destacar a Torre Octagonal, o Pátio de Armas, as duas portas, a da entrada e a da muralha.

Este palácio foi construído sobre as ruínas do antigo palácio dos Mouros, o Palácio de Villavicencio, do séc. XVIII, onde se situa a Câmara Oscura e onde se pode visualizar toda a cidade, através de um sensor óptico.

Jerez de La Frontera é uma cidade repleta de atracções desde culturais, artísticas, históricas e desportivas.

25 de maio de 2011

Carmona



A cidade de Carmona situa-se perto do centro de Sevilha, esta é habitada desde tempos antigos. Carmona tem uma longa história vivenciando a passagem das mais variadas culturas. Inicialmente era habitada por tártaros, e mais tarde tornou colónia fenícia. Séculos mais tarde estabeleceram-se na Roman e as civilizações árabes deixaram a sua marca singular no rico património desta cidade.

Dentro das muralhas antigas, a cidade velha de Carmona tem preservado a sua aparência de uma medina árabe, nas suas ruas podemos encontrar manifestações da bela arquitectura civil e religiosa.





No horizonte observamos a Igreja de Santa Maria Maggiore, construída no século XV sobre uma antiga mesquita árabe. Outras igrejas que visitamos foram a San Felipe (séc. XIV), em estilo mourisco, e San Pedro, barroca, cuja torre é semelhante à Giralda, em Sevilha.






Ao percorrer as ruas estreitas e singulares da cidade amuralhada surgiam casas de estilo islâmico, construídas entre os séculos XV e XVII, edifícios renascentistas e barrocos.




Ao longo do nosso percurso visitamos o Convento do século XVIII e no ponto mais alto da cidade encontramos o Alcázar del Rey Don Pedro actualmente o Parador de Turismo. Construido nos tempos dos Mouros, o palácio original foi a residência dos reis da Taifa. No século XIII, sob o governo de D. Pedro I "o Cruel" profundas obras foram realizadas na área fortificada de forma a ficar com o aspecto actual. Segundo a lenda, este sumptuoso palácio tornou-se um dos favoritos do monarca castelhano.




Todo o percurso realizado pela cidade fortificada foi guiado pelas indicações que íamos encontrando no chão, onde assinalavam as rotas que deveríamos percorrer para encontrar as atracções turísticas da cidade.

Considero o centro histórico da cidade de Carmona muito bem preservado facilitando o reconhecimento histórico e cultural da cidade.

24 de maio de 2011

Sevilha


Sevilha é a quarta maior cidade da Espanha e é considerada a capital da Andaluzia.

Visitei Sevilha na Primavera do corrente ano e fiquei deslumbrada com a riqueza cultural desta cidade.

Ao longo da visita a esta magnifica cidade constatei que estava a percorrer o coração da cultura andaluza, centro universal da tauromaquia e do flamenco.

Esta cidade viu a glória do Império Romano, a luxuosa sofisticação da cultura muçulmana e a reconquista da Espanha por Fernando e Isabel. A reconquista de Sevilha pelos cristãos propiciou a construção de uma das maiores e mais extraordinárias catedrais do mundo, a Catedral de Sevilha.

Iniciamos a visita na margem leste do rio Guadalquivir (o maior rio de Sevilha). Começamos por percorrer o Parque Maria Luísa um vasto espaço verde cheio de caminhos que se cruzam, aves a nadar nos lagos e palácios ocultos por detrás da folhagem das árvores. O verde das árvores, o cheiro das flores, o som das charretes a vaguearem pelos trilhos do parque e o calor do sol a penetrar na pele preencheram-me a alma.




Quase no final do parque deparamo-nos com um momento majestoso, a Plaza de Espanha, cuja forma em meia-lua é percorrida por charretes. A maior parte destes edifícios foram construídos para a Exposição Ibero-Americana de 1929. Os barquinhos a flutuarem, as charretes a deambularem, o movimento da praça e o majestoso monumento em forma de meia-lua fazem com que este espaço se torne sumptuoso.





Em seguida percorremos a avenida central até chegar à zona histórica da cidade. Nesse trajecto apreciamos monumentos grandiosos e praças emblemáticas.




Passamos pelo Arquivo das Índias, que foi fundado no ano 1660. É um belíssimo edifício com 2 pisos e um pátio central. Apresenta uma grande quantidade de informação e documentos dessa altura, entre os mais conhecidos, encontra-se o diário de Colombo.

Ao lado do Arquivo das Índias deparamo-nos com os dois monumentos mais famosos da cidade: o Alcázar e a Catedral de Sevilha, com a sua Torre Giralda.





A catedral é uma visão majestosa e impressionante. O túmulo de Cristóvão Colombo encontra-se no seu interior. Outra das suas atracções é a Torre Giralda o minarete da antiga mesquita, cuja parte inferior data do século XII. Trata-se de um maravilhoso exemplo de arquitectura Almohad, com um acrescento tardio de arquitectura renascentista. Não deixamos de subir até ao topo da torre, a uma altura de 98 metros. O acesso é por rampas de pedras, sem degraus, por onde cavalos levavam visitantes ilustres em eras passadas. Não é das subidas mais árduas, e os panoramas da cidade que se descortinam pelas janelas mais do que justificam o esforço. A imensa Catedral foi consagrada como tal na primeira metade do século XIII, quando Sevilha foi reconquistada pelos cristãos, e erguida no estilo predominantemente gótico dos séculos XV e XVI.







Este grande edifício gótico foi declarado Monumento Nacional, mas depois também foi declarado Património da Humanidade. A Capela de Santo António, a Capela da Virgem e o Altar Maior são umas das zonas mais visitadas.

O Alcázar situa-se ao lado da catedral. Os governantes mouros começaram a construção deste deslumbrante palácio e depois os reis católicos de Sevilha terminaram as obras quando expulsaram os Mouros. Os edifícios foram concluídos segundo uma estética mourisca e os reis contrataram operários muçulmanos para terminar a construção.








Considero este palácio de uma beleza inquestionável, os traços muçulmanos que nele permanecem conduzem-nos para uma realidade cultural distinta das que estamos habituados a viver.

A atracção deste palácio não passa apenas pelo monumento em si, mas também pelos jardins com inúmeras laranjeiras e fontes.

O conjunto histórico formado pelo Alcázar, pela Catedral e pelo Arquivo das Índias (onde estão guardados milhares de documentos relativos aos Descobrimentos) é considerado Património da Humanidade pela Unesco.

Outro fantástico exemplo de arquitectura mourisca em Sevilha é a Casa de Pilatos, dos séculos XV e XVI, residência de nobres que combina de maneira sumptuosa a arquitectura moura com a gótica e a renascentista. Localizada em uma das ruelas do bairro Santa Cruz, a Casa de Pilatos é considerada a "protótipo" dos palácios andaluces. Os muitos trabalhos em azulejo e belos jardins são as principais atracções deste palácio.






Não deixamos de visitar o Bairro Santa Cruz para saborear o contraste de culturas, onde o antigo bairro judeu (judiaria) tem imensas praças repletas das famosas laranjeiras de Sevilha. Este antigo bairro assistiu a muito infortúnio no passado, mas é hoje um excelente sítio para repousar ou passear.



O Bairro Santa Cruz é considerado um espaço romântico, devido às suas casas com fachadas brancas, varandinhas de ferro trabalhado cheias de flores, ruazinhas estreitas e sinuosas e encantadores pátios.

O bairro está repleto de esplanadas que servem as típicas tapas e proporcionam aos visitantes um momento ao ar livre num dos sítios tradicionais da cidade.

Outra das atracções da cidade é o passeio ao longo da margem do rio Guadalquivir, no bairro de El Arenal, apreciando a torre de vigia do rio – a Torre del Oro (Torre do Ouro), construída pelos Mouros e usada mais tarde como prisão e armazém para os tesouros trazidos das Américas.

Outro dos locais imperdíveis é o bairro de Triana para se desfrutar de um espectáculo de flamenco em El Arenal, correndo os bares de tapas locais. As tapas são uma tradição culinária muito antiga da Andaluzia e de Sevilha.

No final do passeio visitamos as muralhas e a porta de Sevilha, que nos reportam para a história da cidade.




Considero que conhecer Sevilha é penetrar nos seus bairros e nos seus magníficos monumentos desfrutando desse momento.