26 de maio de 2011

Jerez de la Frontera


A cidade de Jerez de la Frontera é um Município de Espanha, que faz parte da província de Cádiz.

Jerez de la Frontera é rica em história e tradição, embora seja ainda mais conhecida pelo vinho Jerez que produz.

Hoje em dia, a cidade é uma mistura dinâmica de edifícios novos e antigos. Alguns dos locais mais atraentes situam-se na parte antiga da cidade.



O bairro cigano é dos mais antigos da Andaluzia, as suas ruas são estreitas e sinuosas. Ao longo do passeio pela cidade antiga admiramos praças encantadoras e palácios renascentistas. Evidentemente, o flamenco é muito importante no Bairro de Santiago e em toda a cidade de Jerez. A Fundación Flamenca de Andalucía tem a sua principal sede neste local.

O Museu dos Relógios é outra das atracções da cidade. As casas nas quais está instalado são das mais antigas da Europa.

Jerez está fortemente ligada à criação de cavalos. Ainda hoje, são utilizados os métodos mais tradicionais. Diz-se que os melhores cavalos de raça em Espanha foram criados nesta cidade. A Real Escuela Ecuestre de Jerez tem prestígio internacional, recebendo visitantes de todo o mundo, que ficam maravilhados com os exemplares que aqui contemplam.

Uma vez por ano realiza-se uma prova do Grande Prémio de Motociclismo no Circuito de Jerez. Durante cerca de quatro dias reúnem-se na cidade milhares de adeptos deste desporto, tornando o ambiente eufórico.

O património religioso da cidade surpreendeu-me, na medida que nos deparamos com várias igrejas todas elas imponentes (Cartuja Santa María de la Defensión, San Dionisio, San Juan de los Caballeros, Santiago, Santísima Trinidad).



As que mais me fascinaram foi a igreja San Miguel e a Catedral de Jerez.

A igreja San Miguel é de estilo gótico isabelino. A igreja remonta ao séc. XV e XVI e está localizada em um dos bairros ciganos da cidade de Jerez.






A construção da Catedral de Jerez teve início em 1695 e situa-se na mesquita original de Jerez e antiga Igreja do Salvador.

O sino da torre está localizado na parte externa e possivelmente foi construído sobre o minarete da mesquita. O templo rectangular tem cinco naves em seu espaço que integra a estrutura de uma cruz latina. É também o epicentro das celebrações religiosas da cidade.




Outra das atracções da cidade é o conjunto monumental do Alcázar e da Câmara Oscura.
Este palácio data do séc. XII, foi reformado no séc. XV e modificado no séc. XVIII e XX. Actualmente, mantém muito de sua construção original. De planta quadrada, a sua construção é de origem almohade, construída no século XII, foi sede dos governadores cristãos após a queda da cidade nas mãos de Alfonso X.


Os espaços que me surpreenderam no Alcázar foram a mesquita de Santa María la Real, os Banhos Árabes, o lagar de azeite e os belos jardins.




No interior do Alcázar também são de destacar a Torre Octagonal, o Pátio de Armas, as duas portas, a da entrada e a da muralha.

Este palácio foi construído sobre as ruínas do antigo palácio dos Mouros, o Palácio de Villavicencio, do séc. XVIII, onde se situa a Câmara Oscura e onde se pode visualizar toda a cidade, através de um sensor óptico.

Jerez de La Frontera é uma cidade repleta de atracções desde culturais, artísticas, históricas e desportivas.

25 de maio de 2011

Carmona



A cidade de Carmona situa-se perto do centro de Sevilha, esta é habitada desde tempos antigos. Carmona tem uma longa história vivenciando a passagem das mais variadas culturas. Inicialmente era habitada por tártaros, e mais tarde tornou colónia fenícia. Séculos mais tarde estabeleceram-se na Roman e as civilizações árabes deixaram a sua marca singular no rico património desta cidade.

Dentro das muralhas antigas, a cidade velha de Carmona tem preservado a sua aparência de uma medina árabe, nas suas ruas podemos encontrar manifestações da bela arquitectura civil e religiosa.





No horizonte observamos a Igreja de Santa Maria Maggiore, construída no século XV sobre uma antiga mesquita árabe. Outras igrejas que visitamos foram a San Felipe (séc. XIV), em estilo mourisco, e San Pedro, barroca, cuja torre é semelhante à Giralda, em Sevilha.






Ao percorrer as ruas estreitas e singulares da cidade amuralhada surgiam casas de estilo islâmico, construídas entre os séculos XV e XVII, edifícios renascentistas e barrocos.




Ao longo do nosso percurso visitamos o Convento do século XVIII e no ponto mais alto da cidade encontramos o Alcázar del Rey Don Pedro actualmente o Parador de Turismo. Construido nos tempos dos Mouros, o palácio original foi a residência dos reis da Taifa. No século XIII, sob o governo de D. Pedro I "o Cruel" profundas obras foram realizadas na área fortificada de forma a ficar com o aspecto actual. Segundo a lenda, este sumptuoso palácio tornou-se um dos favoritos do monarca castelhano.




Todo o percurso realizado pela cidade fortificada foi guiado pelas indicações que íamos encontrando no chão, onde assinalavam as rotas que deveríamos percorrer para encontrar as atracções turísticas da cidade.

Considero o centro histórico da cidade de Carmona muito bem preservado facilitando o reconhecimento histórico e cultural da cidade.

24 de maio de 2011

Sevilha


Sevilha é a quarta maior cidade da Espanha e é considerada a capital da Andaluzia.

Visitei Sevilha na Primavera do corrente ano e fiquei deslumbrada com a riqueza cultural desta cidade.

Ao longo da visita a esta magnifica cidade constatei que estava a percorrer o coração da cultura andaluza, centro universal da tauromaquia e do flamenco.

Esta cidade viu a glória do Império Romano, a luxuosa sofisticação da cultura muçulmana e a reconquista da Espanha por Fernando e Isabel. A reconquista de Sevilha pelos cristãos propiciou a construção de uma das maiores e mais extraordinárias catedrais do mundo, a Catedral de Sevilha.

Iniciamos a visita na margem leste do rio Guadalquivir (o maior rio de Sevilha). Começamos por percorrer o Parque Maria Luísa um vasto espaço verde cheio de caminhos que se cruzam, aves a nadar nos lagos e palácios ocultos por detrás da folhagem das árvores. O verde das árvores, o cheiro das flores, o som das charretes a vaguearem pelos trilhos do parque e o calor do sol a penetrar na pele preencheram-me a alma.




Quase no final do parque deparamo-nos com um momento majestoso, a Plaza de Espanha, cuja forma em meia-lua é percorrida por charretes. A maior parte destes edifícios foram construídos para a Exposição Ibero-Americana de 1929. Os barquinhos a flutuarem, as charretes a deambularem, o movimento da praça e o majestoso monumento em forma de meia-lua fazem com que este espaço se torne sumptuoso.





Em seguida percorremos a avenida central até chegar à zona histórica da cidade. Nesse trajecto apreciamos monumentos grandiosos e praças emblemáticas.




Passamos pelo Arquivo das Índias, que foi fundado no ano 1660. É um belíssimo edifício com 2 pisos e um pátio central. Apresenta uma grande quantidade de informação e documentos dessa altura, entre os mais conhecidos, encontra-se o diário de Colombo.

Ao lado do Arquivo das Índias deparamo-nos com os dois monumentos mais famosos da cidade: o Alcázar e a Catedral de Sevilha, com a sua Torre Giralda.





A catedral é uma visão majestosa e impressionante. O túmulo de Cristóvão Colombo encontra-se no seu interior. Outra das suas atracções é a Torre Giralda o minarete da antiga mesquita, cuja parte inferior data do século XII. Trata-se de um maravilhoso exemplo de arquitectura Almohad, com um acrescento tardio de arquitectura renascentista. Não deixamos de subir até ao topo da torre, a uma altura de 98 metros. O acesso é por rampas de pedras, sem degraus, por onde cavalos levavam visitantes ilustres em eras passadas. Não é das subidas mais árduas, e os panoramas da cidade que se descortinam pelas janelas mais do que justificam o esforço. A imensa Catedral foi consagrada como tal na primeira metade do século XIII, quando Sevilha foi reconquistada pelos cristãos, e erguida no estilo predominantemente gótico dos séculos XV e XVI.







Este grande edifício gótico foi declarado Monumento Nacional, mas depois também foi declarado Património da Humanidade. A Capela de Santo António, a Capela da Virgem e o Altar Maior são umas das zonas mais visitadas.

O Alcázar situa-se ao lado da catedral. Os governantes mouros começaram a construção deste deslumbrante palácio e depois os reis católicos de Sevilha terminaram as obras quando expulsaram os Mouros. Os edifícios foram concluídos segundo uma estética mourisca e os reis contrataram operários muçulmanos para terminar a construção.








Considero este palácio de uma beleza inquestionável, os traços muçulmanos que nele permanecem conduzem-nos para uma realidade cultural distinta das que estamos habituados a viver.

A atracção deste palácio não passa apenas pelo monumento em si, mas também pelos jardins com inúmeras laranjeiras e fontes.

O conjunto histórico formado pelo Alcázar, pela Catedral e pelo Arquivo das Índias (onde estão guardados milhares de documentos relativos aos Descobrimentos) é considerado Património da Humanidade pela Unesco.

Outro fantástico exemplo de arquitectura mourisca em Sevilha é a Casa de Pilatos, dos séculos XV e XVI, residência de nobres que combina de maneira sumptuosa a arquitectura moura com a gótica e a renascentista. Localizada em uma das ruelas do bairro Santa Cruz, a Casa de Pilatos é considerada a "protótipo" dos palácios andaluces. Os muitos trabalhos em azulejo e belos jardins são as principais atracções deste palácio.






Não deixamos de visitar o Bairro Santa Cruz para saborear o contraste de culturas, onde o antigo bairro judeu (judiaria) tem imensas praças repletas das famosas laranjeiras de Sevilha. Este antigo bairro assistiu a muito infortúnio no passado, mas é hoje um excelente sítio para repousar ou passear.



O Bairro Santa Cruz é considerado um espaço romântico, devido às suas casas com fachadas brancas, varandinhas de ferro trabalhado cheias de flores, ruazinhas estreitas e sinuosas e encantadores pátios.

O bairro está repleto de esplanadas que servem as típicas tapas e proporcionam aos visitantes um momento ao ar livre num dos sítios tradicionais da cidade.

Outra das atracções da cidade é o passeio ao longo da margem do rio Guadalquivir, no bairro de El Arenal, apreciando a torre de vigia do rio – a Torre del Oro (Torre do Ouro), construída pelos Mouros e usada mais tarde como prisão e armazém para os tesouros trazidos das Américas.

Outro dos locais imperdíveis é o bairro de Triana para se desfrutar de um espectáculo de flamenco em El Arenal, correndo os bares de tapas locais. As tapas são uma tradição culinária muito antiga da Andaluzia e de Sevilha.

No final do passeio visitamos as muralhas e a porta de Sevilha, que nos reportam para a história da cidade.




Considero que conhecer Sevilha é penetrar nos seus bairros e nos seus magníficos monumentos desfrutando desse momento.

7 de maio de 2011

Pachelbel's Canon




Esta sonoridade alimenta a harmonia instituída no meu coração.
                                                                                              by Carfil

5 de maio de 2011

Os medicamentos para humanos são perigosos para o seu gato

Nunca é demais lembrar que há certos medicamentos de venda livre e tão triviais como uma mera aspirina que são potencialmente fatais para os gatos.
Muitas pessoas na sua insipiência e na tentativa de aliviar a dor nos gatos dão-lhes medicamentos humanos pensando algo como "se dá para bebés também posso dar ao gatinho". Nada mais errado e mais perigoso. Todos os anos os veterinários atendem animais em perigo de vida devido a estas situações. Muitos não sobrevivem.


Lista de substâncias perigosas:
Ácido acetilsalicílico (Aspirina);
Paracetamol (Tylenol, Ben-u-Ron, etc);
Ibuprofeno;
Naproxeno
Anti-gripais (Cêgripe, etc)

Sintomas de envenenamento por estas substâncias:

Depressão;
Hiperactividade;
Desequilíbrio;
Vómito com sangue;
Diarreia;
Anorexia;
Anemia;
úlceras gástricas;
Necrose do fígado;
Hipotermia;

Sem tratamento, sobrevêm o coma e a morte do animal.

Retirado do site: http://lutagaia.blogspot.com/2008/09/perigo-vista.html

Muita atenção, proteja o seu animal!

Trancoso - Aldeia Histórica de Portugal


No começo do ano de 2011 retomei o meu percurso pelas aldeias históricas de Portugal e visitei Trancoso.

Trancoso integra o distrito da Guarda. Com um castelo majestoso, que se destaca com harmonia de uma linha circular de muralhas, assim é delimitado o seu Centro Histórico.
Com um património único edificado intramuros, obtém-se assim um sumptuoso conjunto fortificado que lhe permitiu aceder à restrita classificação de Aldeia Histórica de Portugal.



D. Afonso Henriques conquista-a em 1139, sendo que no ano seguinte quase sucumbe às mãos de Abul Hassan. Reza a história que o convento de S. João de Tarouca foi edificado para celebrar esta vitória. A vila serviu de núcleo habitacional judaico, criado no século XIV, e, quando em 1543, o Tribunal do Santo Ofício ali fez uma devassa verificou-se a fuga de 170 cristãos novos.

O castelo de Trancoso não tem uma origem bem definida, mas já devia existir quando os muçulmanos ocuparam a península, procedendo ao reforço das suas defesas, que não foram suficientes para se defenderem do rei de Leão, Fernando Magno, que reconquistou o castelo por volta de 1057.
D. Afonso Henriques doou Trancoso à Ordem do Templo, por volta de 1173, época em que as defesas da vila conheceram grandes melhorias, acreditando-se que seja deste período a construção da primeira muralha da vila.
Foi em Trancoso que D. Dinis se casou com D. Isabel de Aragão, em 1282, sendo também, este rei, responsável pela ampliação da cerca da vila, de que são exemplo as monumentais portas.



Ao aproximarmo-nos das muralhas vislumbramos o admirável cartão-de-visita da cidade, as Portas d’El Rei. Dentro do centro histórico os interesses dividem-se entre a antiga Judiaria, os Paços do Concelho, o Pelourinho Manuelino, a Igreja da Misericórdia e a Igreja de S. Pedro onde está sepultado o poeta-profeta Bandarra, a casa-quartel do General Beresford, o Palácio Ducal, a Igreja de Santa Maria de Guimarães, a Rua dos Cavaleiros e o Castelo medieval.




Quase no final do nosso percurso dentro das muralhas, fomos abordados por uma aldeã que não conteve a curiosidade em saber se já tínhamos saboreado a especialidade gastronómica da cidade “Sardinhas Doces”. Respondemos que não tínhamos conhecimento dessa especialidade, contudo não sairíamos de Trancoso sem provar esse doce local. Dirigimo-nos a uma casa de produtos artesanais, mas confesso que não tive audácia de provar as Sardinhas doces, como não gosto de sardinhas, não consegui superar a lembrança do sabor da sardinha. Hoje arrependo-me de não ter experimentado a especialidade local.

Em suma, percorrer as muralhas de Trancoso, permite absorver passagens históricas e alcançar horizontes vastos e admiráveis.

Lenda da aldeia histórica de Trancoso

Em Trancoso nasceu Gonçalo Anes Bandarra. Este homem simples do povo, sapateiro de profissão, profeta e autor de trovas que eram vistas e achadas de mão em mão, deu tal brado na sua época que a própria Inquisição o chamou à barra do seu tribunal, dito santo.

Deu-se o caso ter parado em Trancoso um almocreve, o qual jornadeava por esses quintos no cumprimento de um frete e tivera como roteiro de passagem a muito nobre vila de Trancoso. Trazia um par de botas para o conserto e meia dúzia de grossas bolhas nos pés.

Sabendo da existência de um despachado e competente sapateiro-Remendão, depressa se colocou à porta da oficina do dito e lhe entregou o serviço. Feito este, prontificou-se o almocreve a pagar o justo valor pela prestação da obra acabada, de qualidade e asseada. Porém, Bandarra, em vez de lhe cobrar sequer um vintém, profetizou nos versos seguintes o saldo da dívida:           
Irás e virás,       

Na praça me acharás   

Meio dentro e meio fora             

E então me pagarás.    


Foi-se o almocreve satisfeito por ter poupado alguns cobres e a julgar desaparafusado do juízo aquele trouxa que lhe passara recibo através de um verso mal alinhado. Sim, não havia mais ninguém no mundo que se deitasse a imaginar o que aquele sapateiro predizia com a estranha lengalenga. Não era de crer, para quem tivesse o juízo perfeito, que ele voltasse a Trancoso e, para mais, encontrasse de novo o sapateiro, na praça, meio dentro e meio fora. Que coisa mais esquisita!

Por isso mesmo, depois de ter ficado varado de pasmo, nunca mais o arrieiro tornou a pensar no assunto.     

Aconteceu, porém, certa incumbência de ofício fazer com que o almocreve, anos volvidos, tornasse a passar em Trancoso. Ouviu tocar os sinos a Finados e tratou de perguntar sobre quem tinha morrido na terra, pois sentia, pelo pesar de quem via, ser pessoa muito querida no lugar. Logo lhe disseram que se tinha finado o sapateiro, um tal Bandarra, honrado homem de saber, poeta e profeta.       

Um baque no peito trouxe à memória do homem aqueles versos aquando do conserto das botas. Num rufo correu até à praça. Na porta da igreja - que lhe disseram ser de São Pedro - encontrava-se o esquife onde estava depositado o corpo inerte e frio do sapateiro. Metade dentro da igreja e metade fora dela.            

O almocreve prostrou-se de joelhos e fez o sinal da cruz. Tinha finalmente compreendido o vaticínio do Bandarra. Retirou da bolsa o dinheiro necessário e custeou as despesas com o funeral. Estava quite com o homem que retardara o pagamento para tão insuspeita ocasião e que tanto predestinara por uma forma tão curiosa. 

Retirado do site: