3 de maio de 2011

História da origem da aldeia Piodão


Existem diversas explicações para o surgimento da aldeia de Piodão.

Uma das explicações é a seguinte : D. Dinis, cujo cognome é de “O Lavrador”, terá mandado uma pequena população de indivíduos para povoarem o sopé da montanha. Isto devido ao facto de que esta figura histórica mostrou em toda a sua vivência gosto pelo cultivo dos terrenos.

Ao fixar essa população estava a contribuir para o desenvolvimento de uma população, a qual terá dado origem ao Piódão.

Uma das outras explicações é que, devido à sua localização geográfica, o Piódão terá servido de refúgio a malfeitores e assassinos. Como exemplo destes, temos João Brandão ou Diogo Lopes Pacheco, o único dos assassinos de D. Inês de Castro que, apesar de perseguido pela ira de D. Pedro, conseguiu fugir para as terras da Galiza por onde terá andado a vaguear durante algum tempo.

Posteriormente conseguiu entrar novamente em Portugal e terá provavelmente fixado na Serra de S. Pedro do Açor, ou seja, no Piódão.

Existe um número elevado de pessoas com os sobrenomes Lopes e Pacheco, o qual se explica pela passagem de Diogo Lopes Pacheco por estas terras e onde terá procriado.

Numa terceira explicação sobre a origem da aldeia diz que, no início da ocupação, as populações se instalaram no fundo do vale num local virado para nascente, o qual é designado por casas Piodam, vindo mais tarde a mudar-se para outro lado da encosta, onde se encontra actualmente.

Por último, tomámos conhecimento de que a aldeia também poderia ter surgido devido ao facto de uma existência, em tempos, de uma estrada que ligava Coimbra a Covilhã.

Esta estrada servia para passarem os almocreves. Estes aproveitavam a Catraia de S. Pedro, que se situa a 1250 metros de altitude, para descansarem e fazerem a troca das suas bestas. Devido a esta paragem, eles talvez descessem a encosta e talvez se fixassem no local da actual aldeia.

Piódão pertenceu ao Concelho de Avô, até à extinção deste, em 1855, passando a integrar-se no de Arganil a partir desse momento.

Em 1885, foi colocado na freguesia do Piódão o padre Manuel Fernandes Nogueira, o qual tinha apenas 25 anos. Este, isolado do seu meio e da sua cultura, não desanimou e fez algo inovador pela freguesia. Fundou o Seminário – Colégio em 1886 que preparava os jovens para os estudos universitários e mais frequentemente, para a vida eclesiástica. E ali ensinava, quase sozinho, todas as disciplinas do curso preparatório do seminário. A qualidade de ensino do Colégio atraiu centenas de jovens oriundos dos mais diversos concelhos do país.

Este colégio extinguiu-se em 1906. Em honra do cónego Manuel Fernandes Nogueira, ergue-se na praça um busto.

A acção do cónego deu-se tanto a nível da agricultura como da silvicultura, criando na população laços estreitos de vida comunitária e participando activamente no desenvolvimento económico da freguesia.

Deste colégio restam apenas alguns vestígios pois no local onde este se situava, foram construídas as escadas que nos levam à Igreja Matriz.

Lenda da Aldeia Histórica de Piódão



Esta é uma história baseada em factos reais. Os três nobres que assassinaram D. Inês de Castro refugiaram-se em Castela, após os fatídicos acontecimentos. O Rei de Castela considerou que o crime cometido em Portugal não lhe dizia respeito e acolheu-os com honras de grandes senhores e garantiu-lhes protecção. Com a morte de seu pai, D. Pedro subiu ao trono e jurou vingar a morte da sua amada Inês. Propôs então ao Rei de Castela um pacto: trocariam entre si criminosos fugidos à justiça. O Rei aceitou o pacto a mandou prender e entregar a D. Pedro os homens a quem tinha garantido protecção. No entanto um deles, Diogo Lopes Pacheco, logrou escapar de tal sorte. Ajudado por um pobre mendigo, de seu nome Garcia, a quem tinha em tempos ajudado e dado protecção, que o avisou da combinação entre Castela e Portugal, conseguiu enganar os guardas que em vão o procuraram. Assim que soube que o Rei de Castela procurava o seu amigo, Garcia partiu ao seu encontro. E assim que o avistou, depois de lhe contar o que se passava, contou-lhe do seu plano para que pudesse escapar. Por conselho do pobre Garcia, o nobre trocou as suas faustosas roupas de caça por velhos farrapos, aos quais sobrepôs um hábito de frade. Com o capuz pela cabeça, seria impossível reconhecê-lo. E devia partir, na companhia de almocreves, fingindo pedir esmola. O nobre achou o plano brilhante, notável, de tão simples. Antes de partir, porém, depositou nas mãos de Garcia, um punhado de moedas de ouro, dizendo-lhe que ele seria, por certo, o único amigo verdadeiro que tinha nesta vida. E partiu. Partiu rumo a uma encosta inacessível de um vale isolado, onde só de longe em longe apareciam pastores ou fora-da-lei. Diz a lenda que é nesse lugar que se ergue a aldeia de Piódão e que quem lá vai mesmo que não conheça estas histórias antigas sente mesmo assim, o envolvimento numa atmosfera cheia de segredos.

Retirado dos site:

2 de maio de 2011

Marialva - Aldeia Histórica de Portugal


Marialva situa-se a poucos minutos da cidade de Mêda. Esta aldeia, uma das preciosidades vivas da nossa ancestralidade, conduz-nos às origens mais profundas da nossa história.



Povoada pelos Aravos, povo lusitano, foi posteriormente conquistada pelos romanos, a que se seguiram os árabes, até à vitória final de D. Fernando Magno, em 1063. Em 1179 recebe a carta de foral de D. Afonso Henriques, tendo mantido uma actividade intensa - graças às feiras que aí se realizavam - até finais do séc. XVIII. No ano de 1200 o castelo é mandado reconstruir e restaurar por D. Sancho I tendo sido posteriormente ampliado por ordem do rei D. Dinis.



Ao entrar em Marialva, fiquei com a sensação que entramos num cenário histórico, as ruas, ladeadas por edifícios resistentes ao tempo, guiam-nos à cidadela amuralhada em cujas ruínas perdemos a noção do tempo. O acesso ao interior das muralhas faz-se pela Porta de São Miguel, onde existe um nicho do anjo da guarda e estão gravadas as antigas medidas da vara, côvado e palmo, dado aqui se realizar uma importante feira medieval. Além desta, a cerca possui mais três portas: Postiguinho ou Porta da Traição, Porta de Santa Maria e Porta do Monte.


No interior das muralhas, destacam-se a Praça, solenemente assinalada pelo Pelourinho e pelo edifício da antiga Casa da Câmara, também tribunal e cadeia (séc. XVII); alguns metros mais à frente a torre de menagem e a Igreja de Santiago com o seu magnífico tecto pintado. Ao lado, a capela da Misericórdia exibe um tecto com painéis alusivos à vida dos santos e um púlpito exterior. A cerca amuralhada do castelo dispõe de três torres meio arruinadas (torre do relógio, da relação e dos namorados) e oferece belas vistas panorâmicas, reconhecendo-se para nascente a serra da Marofa e para sul, em dias de boa visibilidade, a serra da Estrela.


Marialva é uma aldeia cujas pegadas colossais guardam a memória de um passado histórico muito marcante.

1 de maio de 2011

Lenda da Aldeia Histórica de Marialva


Lenda transmitida de boca em boca ao longo dos séculos e com variações. Surgiu na tentativa de explicar o nome da terra e como não podia deixar de ser tem muito a ver com histórias e lendas imaginadas na Idade Media, o Tempo dos Castelos…

Esta é uma das versões (há várias) e reza assim:

Em tempos que já lá vão viveu na Torre do Castelo uma Princesa tão linda e de pele tão branca que toda a gente lhe chamava Maria Alva.

A Princesa aparecia à sua janela, mas nunca saía nem para passear, fazer visitas ou ir à igreja. Talvez por isso a sua fama correu de terra em terra e começaram a vir de todo o lado Cavaleiros e Príncipes que esperavam que ela surgisse à janela. Em vão lhe ofereciam presentes, em vão lhe cantavam belas músicas: a Princesa nunca saía da sua Torre, nem aceitava os pedidos de casamento.

“Casarei com quem me oferecer um par de sapatos à medida do meu pé”, disse um dia…

Este desafio fez a felicidade dos sapateiros da região que viram aqui uma grande oportunidade de negócio. Um, em especial, o famoso Ramiro, divertia-se a provocar os seus clientes, lançando ainda mais a confusão, ora dizendo a uns que a Princesa devia ter uns pés enormes, ora dizendo a outros justamente o contrario. E assim o seu negocio prosperava… No entanto nenhum dos Cavaleiros acertava com a medida certa.

Até que um dia apareceu por aquelas paragens um Príncipe cuja esperteza lhe tinha valido a alcunha de “Olhos de Falcão”. Esperto como era, resolveu pagar a um criado para que este espalhasse cinza junto à cama da Princesa. Assim, quando ela se levantasse, os seus pés ficariam marcados na cinza e facilmente se poderia tirar o molde certo.

O que o Príncipe não esperava era que em vez de pés normais, ficassem marcados na cinza, pés de burro. A Princesa tinha pés de burro!

Muito assustado o criado repetia vezes sem conta que aquilo era obra do demónio e que o Príncipe devia esquecer Maria Alva e seguir o seu caminho.

O Príncipe, no entanto, resolveu, com os moldes que tinha, mandar fazer um par de sapatos à medida da Princesa, do cabedal mais macio que houvesse.

Não sem resistir, apavorado com aquela história, o sapateiro Ramiro lá fez o par de sapatos em troca de 2 sacos de moedas de ouro!

3 dias depois os sapatos estavam prontos e o Príncipe apressou-se entrega-los à sua Princesa.

No entanto e sem que nada o fizesse esperar ouviu-se um estrondo medonho, um grito agudo e fumo começou a sair da janela do quarto da Princesa.

Todos fugiram, menos o Príncipe, que, feliz da vida, observa a sua Princesa, não à janela, mas saindo descalça pela porta do Castelo.

Tinha sido quebrado o encanto que uma bruxa malvada tinha lançado a Maria Alva. Aprisionada na torre e com pés de burro, a Princesa só seria libertada do feitiço se alguém lhe oferecesse um par de sapatos à sua medida.

Olhos de Falcão e a Princesa casaram e viveram felizes para sempre…

O sapateiro Ramiro deixou de trabalhar, fez uma peregrinação a Santiago de Compostela e na volta construiu uma bela casa e diz a lenda que nunca contou a ninguém a origem da sua fortuna.

E a terra tomou o nome da linda Princesa Maria Alva: MARIALVA.

30 de abril de 2011

Linhares da Beira - Aldeia Histórica de Portugal



Linhares da Beira é uma antiga vila medieval já habitada desde a época dos romanos. Como marcas desses tempos existem várias sepulturas, um trecho da calçada romana e parte do edifício actualmente chamado Fórum de Linhares.



O actual nome de Linhares parece, porém, ter derivado do termo Linares que tem origem na forma latina Linum (linho). Linhares eram, pois, áreas cultivadas de linho, planta têxtil que, outrora, abundava nesta região.


 O seu castelo, Monumento Nacional reconstruído em 1291 durante o reinado de Dom Dinis, desempenhou um importante papel na defesa da Beira Alta durante os primórdios da nacionalidade. Daqui se avista uma boa parte do restante património histórico da localidade, onde se destacam também a igreja matriz de origem românica, o pelourinho manuelino, a casa da câmara, com armas reais de Dona Maria, o solar Corte Real, construção barroca do século XVIII e o solar Brandão de Melo, edifício neoclássico do século XIX.


Cada uma das pedras das magníficas ruas contam histórias fantásticas, e revelam a importância que esta aldeia teve no passado.



Ao longo do percurso pela aldeia encontramos uma pequena tribuna de pedra, exemplar único de fórum medieval donde se anunciavam à população as decisões comunitárias.
Também visitamos a igreja matriz, de raiz românica. No seu interior estão três valiosas tábuas atribuídas ao grande Mestre português Vasco Fernandes (Grão Vasco).

Sendo a gastronomia um factor que aprecio em cada visita cultural, aproveitamos o momento do almoço para saborear os prazeres locais, na Taberna do Alcaide.
Como entradas saboreamos: queijo da Serra, morcela, chouriça da serra e alheira de Linhares da Beira. Como prato principal experimentamos o Borrego de Linhares e por fim para adoçar o momento deliciamo-nos com requeijão com doce de abóbora.

Considero a aldeia de Linhares da Beira um local de história, tradição e de beleza paisagística.

Lenda da Aldeia Histórica de Linhares da Beira



A história desta batalha baseia-se em factos reais. Segundo a tradição no tempo do Rei D. Sancho I, o Rei de Leão invadiu Portugal com intenção de tomar Celorico da Beira.

Avisado por um mensageiro, que tinha sabido das intenções do Rei de Leão, o alcaide de Celorico mandou pedir ajuda a seu irmão, também ele alcaide, mas em Linhares da Beira. Tendo por aliada uma noite cerrada e escura por ser lua nova, os dois alcaides juntaram homens e forças e pensaram em qual seria a melhor táctica para vencer o Rei de Leão.

Na tentativa de surpreender o inimigo que nem imaginava que os Portugueses o esperavam e em vez de o esperarem trancados dentro do castelo, o exército português saiu ao encontro do exército leonês. A táctica resultou e os Portugueses venceram.

Em memória desta batalha nocturna vencida, o rei D. Sancho I mandou incluir a lua e as estrelas no brasão de armas de Linhares e Celorico.

Retirada do site: http://www.casasdocruzeiro.com/AldeiasHist%C3%B3ricas/LendadaAldeiaHist%C3%B3ricadeLinharesdaBeira.aspx

27 de abril de 2011

Belmonte - Aldeia Histórica de Portugal


A aldeia de Belmonte situa-se no Monte da Esperança, no vale conhecido por Cova da Beira, na margem esquerda do Rio Zêzere. Segundo a tradição, o seu nome advém do lugar onde está edificada (monte belo ou belo monte). As primeiras referências à vila estão associadas à história do grande concelho da Covilhã, com foral de 1186, mas depressa obteve foral próprio de D. Sancho I, em 1199. A partir do século XV, a história da vila funde-se com a própria história da família Cabral, seus alcaides-mor e adiantados da Beira. Belmonte foi o berço do navegador Pedro Álvares Cabral que em 1500 descobriu o Brasil. 


Em Belmonte fixou-se uma importante comunidade judaica, sobretudo no séc. XV, quando aqui se refugiaram judeus fugidos às perseguições movidas por Castela. Moravam em casas situadas fora das muralhas do castelo, no Bairro de Marrocos, onde ainda poderá ver os símbolos das profissões exercidas pelos membros da comunidade, como a tesoura que identifica o alfaiate, gravados nas ombreiras das portas.

 Na aldeia visitamos o Castelo, monumento Nacional formado pela Torre de Menagem, vestígios da antiga alcaidaría (Paço dos Cabrais) e um moderno anfiteatro ao ar livre, rodeado por imponentes muralhas. Não deixamos de subir à janela Manuelina, verdadeira jóia granítica, de onde apreciamos a Serra da Estrela em toda a sua extensão.


 Junto ao castelo encontramos uma pequena igreja romano-gótica dedicada a S. Tiago, que tem no interior uma Pietá esculpida em granito, comovente na sua beleza rude e simples. Um anexo à igreja abriga o panteão dos Cabrais, embora as cinzas de Pedro Álvares Cabral se encontrem na Igreja da Graça, em Santarém.


 Ao longo do percurso pela aldeia passamos pelo pelourinho o símbolo medieval de poder municipal que representa uma prensa, e pela Capela Gótica da Nossa senhora da Piedade, onde se encontra uma belíssima pietá, escultura gótica, monolítica, em granito da região, e pela sinagoga, um templo da comunidade judaica de Belmonte.


 Visitamos a Igreja Matriz, uma construção recente dos anos 40 que alberga a imagem quatrocentista de Nossa Senhora da Esperança que, segundo a tradição, é a santa que Pedro Álvares Cabral levou na sua viagem de descoberta do Brasil.
Encontramos o edifício Tulha, magnífico edifício de granito do século XVIII, onde eram armazenadas as rendas da família Cabral. Hoje encontra-se aí instalado o Eco-museu do Zêzere, uma estrutura que aborda o rio Zêzere numa perspectiva do seu património natural e cultural, privilegiando os aspectos ligados à fauna, flora, uso do solo e povoamento. Por fim vistamos o Museu Judaico de Belmonte, estrutura única no nosso País e o Museu do Azeite.




Fora da aldeia de Belmonte (na freguesia do Colmeal) visitamos as ruínas romanas Centum Cellas, cuja histórica deu origem a várias lendas e teorias.  


 Ao longo dos tempos várias atribuições foram dadas a estas ruínas, desde templo a prisão, ou mesmo albergaria, sabendo-se agora, após grandes estudos arqueológicos, que este terá sido um amplo conjunto estrutural, incluindo diversos compartimentos como salas, corredores, escadarias, caves e pátios, constituindo a Torre o espaço central.


Considero Belmonte uma aldeia repleta de mistérios e ao explorarmos os seus caminhos e monumentos envolvemo-nos nas histórias das gentes da terra.

26 de abril de 2011

Castelo Rodrigo - Aldeia Histórica de Portugal



Castelo Rodrigo é uma aldeia medieval, erguida no topo de uma colina isolada, a 820 metros de altitude, oferece uma esplêndida vista sobre os campos e serras em redor. Esta antiga vila fortificada, totalmente recuperada no âmbito do Programa de Recuperação de Aldeias Históricas, guarda vestígios de ocupação humana que remontam ao Paleolítico.



A história desta aldeia enraíza-se nas páginas do tempo, ao entrar pela porta do sol, senti que abraçava os antepassados embrenhados pelas ruas estreitas e repletas de vestígios históricos.



 Fazendo parte do programa das Aldeias Históricas, a sua monumentalidade está patente em todo a vila. O pelourinho, a cisterna, servida por duas portas, uma gótica e outra mourisca; a igreja matriz; a Igreja e Convento de St.ª M.ª de Aguiar, o relógio instalado sobre um antigo torreão são monumentos que tornam este local inesquecível. Já as ruínas do castelo revelam a raiva da população quando, no final do reinado de Filipe II, incendiou o antigo palácio de Cristóvão de Moura, um dos defensores da legitimidade espanhola por terras lusas.





O castelo tendo sofrido ao longo dos tempos, diversas reconstruções, nomeadamente quando em 1297, D. Dinis mandou restaurar os castelos desta região, tendo reedificado e repovoado Castelo Rodrigo “fazendo erigir um forte castelo, com alterosa torre de menagem, quadrangular, com seis janelas sacadas e uma poderosa cinta de muralhas apoiada em torreões semicirculares que ainda persistem, bem como três portas: a Porta do Sol, a Porta de Alverca ou Porta Nascente junto da qual se observa a Cabeça do Mouro e a Porta da Traição com acesso ao Túnel que supostamente liga ao Mosteiro de Santa Maria de Aguiar.




 Castelo Rodrigo merece uma visita pelas suas glórias passadas, pela beleza e limpidez do lugar, pelo seu casario intra-muros, pelo seu pelourinho manuelino e ainda pela comovente imagem de Santiago Matamouros guardada na igreja do Reclamador.

Um local imperdível é a vista do miradouro da Serra da Marofa, onde se localiza uma réplica do Cristo-Rei. Deste ponto podemos contemplar uma esplêndida vista sobre a aldeia Castelo Rodrigo, bem como sobre a fantástica região da Beira Alta.



Considero Castelo Rodrigo umas das aldeias históricas mais opulentas em vestígios históricos, transmitindo ao visitante parte das raízes plantadas nos caminhos, monumentos e entranhas da aldeia.

Lenda da Aldeia Histórica de Castelo Rodrigo



Esta lenda baseia-se em factos históricos e está relacionada com a expulsão dos Judeus pelos reis católicos de Espanha e com a vinda de muitos desses Judeus para Portugal no reinado de D. João II, que os acolheu e protegeu.

Um deles foi Zacuto, judeu muito rico, que tendo sido ele também expulso de Espanha, escolheu Castelo Rodrigo para viver. Viúvo e de poucas falas, era no entanto, exímio nos negócios. Pouco tempo depois de ter chegado aquelas paragens já era dono de muitas terras, comprara rebanhos e mandara construir uma casa magnífica. Mas se era sozinho porquê uma casa tão grande? - questionavam-se os seus vizinhos… Assim que a obra terminou, viram chegar varias carroças e com elas muitos homens e mulheres. Afinal Zacuto tinha parentes. No entanto todos os olhares se voltavam para uma única pessoa, Ofa, a sua lindíssima filha. E no dia em que pela primeira vez saiu à rua foi um alvoroço. Uns cumprimentavam-na, outros saudavam-na das janelas e as crianças ofereciam-lhe flores e pequenos presentes. Toda a família ficou muito feliz, porque afinal Zacuto tinha acertado em cheio na escolha da aldeia em que viviam. O pior estava, no entanto, para vir, porque os rapazes da aldeia tentavam por todos os meios conseguir a atenção da linda rapariga. No entanto e porque pertenciam a religiões diferentes, os pais não viam com bons olhos aquelas tentativas de aproximação, afinal Ofa nunca poderia casar com um cristão… E a fama da linda judia chegou longe e chegou aos ouvidos do fidalgo das Cinco Vilas, um rapaz da região, conhecido pela sua ousadia e pela imensa fortuna de seus pais.

“Hei-de jantar com ela ainda antes do Inverno!”- apostou com os amigos!

E lá foi arquitectando o seu plano até que se aproximou do judeu e lhe propôs um negócio, que muito agradou a Zacuto. Mas não satisfeito com isso, decidiu ir mais longe e contratou uns homens que fariam um assalto ao judeu e do qual o fidalgo o salvaria. Tudo acertado com os homens passou à acção. O plano resultou em cheio e Zacuto, muito agradecido, convida o Fidalgo para sua casa. Aposta ganha! O que fidalgo não esperava era que se apaixonaria à primeira vista por Ofa, e ela por ele. E passaram a encontrar-se as escondidas pois as famílias nunca aceitariam aquele casamento. Quando no povo viam o Fidalgo sair sem dizer para onde ia, murmuravam entre si: “ Lá vai ele amar Ofa”

O romance acabou por ter um final feliz porque segundo a tradição todos os judeus que vivessem em Portugal eram obrigados a aceitar o Cristianismo se não queriam ser expulsos. Assim desapareceu o obstáculo da religião e como ambas as famílias eram muito ricas o casamento realizou-se no Mosteiro de Santa Maria Aguiar e os festejos duraram 3 dias e 3 noites. Nos brindes aos noivos, o povo ia gritando : “Marofa, Marofa…” e assim, símbolo de alegria, surgiu o nome da Serra de Castelo Rodrigo : Serra da Marofa.

Retirada do site: http://www.casasdocruzeiro.com/AldeiasHist%C3%B3ricas/LendadaAldeiaHist%C3%B3ricadeCasteloRodrigo.aspx

23 de abril de 2011

Castelo Mendo - Aldeia Histórica de Portugal



Castelo Mendo fica a sudoeste de Almeida. Eleva-se a 721 metros de altitude, coroando um cabeço granítico rodeado pelo fundo vale do Côa. A aldeia continua amuralhada, tal como estava quando o rei D. Sancho I a mandou erguer em princípios do século XIII. Mantêm-se no interior uma série de igrejas, umas em ruínas, outras bem conservadas, sendo curiosas as representações do lendário alcaide Mendo e da sua mulher, Menda, carrancas colocadas na fachada de duas casas vizinhas. Castelo Mendo tinha uma importante feira medieval, provavelmente a primeira feira oficial do país.







Esta Aldeia Histórica tem muito para contar, como confirmamos ao visitar o seu Castelo, as Igrejas de São Vicente e de São Pedro, o alto Pelourinho de 7 metros, o mais alto das Beiras, ou pela Domus Municipalis, edifício que englobava a Cadeia, o Tribunal e a Casa da Câmara, e que, hoje, funciona como Posto de Turismo.







Silenciosamente entramos pela porta da fortaleza medieval rodeada por montes verdejantes e vales férteis, passamos o portal de pedra, entramos e recuamos no tempo. Longe da agitação do progresso, a aldeia vive a sua solidão nas ruas desertas e nas casas abandonadas. Mas é graças a esse isolamento que Castelo Mendo é um pequeno encanto perdido na montanha. Do terreiro da igreja sem tecto conseguimos alcançar uma paisagem espectacular.







O queijo de cabra e o pão caseiros são as atracções gastronómicas da aldeia.

Esta aldeia singular abraçada pela natureza conquista qualquer alma.