1 de maio de 2011

Lenda da Aldeia Histórica de Marialva


Lenda transmitida de boca em boca ao longo dos séculos e com variações. Surgiu na tentativa de explicar o nome da terra e como não podia deixar de ser tem muito a ver com histórias e lendas imaginadas na Idade Media, o Tempo dos Castelos…

Esta é uma das versões (há várias) e reza assim:

Em tempos que já lá vão viveu na Torre do Castelo uma Princesa tão linda e de pele tão branca que toda a gente lhe chamava Maria Alva.

A Princesa aparecia à sua janela, mas nunca saía nem para passear, fazer visitas ou ir à igreja. Talvez por isso a sua fama correu de terra em terra e começaram a vir de todo o lado Cavaleiros e Príncipes que esperavam que ela surgisse à janela. Em vão lhe ofereciam presentes, em vão lhe cantavam belas músicas: a Princesa nunca saía da sua Torre, nem aceitava os pedidos de casamento.

“Casarei com quem me oferecer um par de sapatos à medida do meu pé”, disse um dia…

Este desafio fez a felicidade dos sapateiros da região que viram aqui uma grande oportunidade de negócio. Um, em especial, o famoso Ramiro, divertia-se a provocar os seus clientes, lançando ainda mais a confusão, ora dizendo a uns que a Princesa devia ter uns pés enormes, ora dizendo a outros justamente o contrario. E assim o seu negocio prosperava… No entanto nenhum dos Cavaleiros acertava com a medida certa.

Até que um dia apareceu por aquelas paragens um Príncipe cuja esperteza lhe tinha valido a alcunha de “Olhos de Falcão”. Esperto como era, resolveu pagar a um criado para que este espalhasse cinza junto à cama da Princesa. Assim, quando ela se levantasse, os seus pés ficariam marcados na cinza e facilmente se poderia tirar o molde certo.

O que o Príncipe não esperava era que em vez de pés normais, ficassem marcados na cinza, pés de burro. A Princesa tinha pés de burro!

Muito assustado o criado repetia vezes sem conta que aquilo era obra do demónio e que o Príncipe devia esquecer Maria Alva e seguir o seu caminho.

O Príncipe, no entanto, resolveu, com os moldes que tinha, mandar fazer um par de sapatos à medida da Princesa, do cabedal mais macio que houvesse.

Não sem resistir, apavorado com aquela história, o sapateiro Ramiro lá fez o par de sapatos em troca de 2 sacos de moedas de ouro!

3 dias depois os sapatos estavam prontos e o Príncipe apressou-se entrega-los à sua Princesa.

No entanto e sem que nada o fizesse esperar ouviu-se um estrondo medonho, um grito agudo e fumo começou a sair da janela do quarto da Princesa.

Todos fugiram, menos o Príncipe, que, feliz da vida, observa a sua Princesa, não à janela, mas saindo descalça pela porta do Castelo.

Tinha sido quebrado o encanto que uma bruxa malvada tinha lançado a Maria Alva. Aprisionada na torre e com pés de burro, a Princesa só seria libertada do feitiço se alguém lhe oferecesse um par de sapatos à sua medida.

Olhos de Falcão e a Princesa casaram e viveram felizes para sempre…

O sapateiro Ramiro deixou de trabalhar, fez uma peregrinação a Santiago de Compostela e na volta construiu uma bela casa e diz a lenda que nunca contou a ninguém a origem da sua fortuna.

E a terra tomou o nome da linda Princesa Maria Alva: MARIALVA.

30 de abril de 2011

Linhares da Beira - Aldeia Histórica de Portugal



Linhares da Beira é uma antiga vila medieval já habitada desde a época dos romanos. Como marcas desses tempos existem várias sepulturas, um trecho da calçada romana e parte do edifício actualmente chamado Fórum de Linhares.



O actual nome de Linhares parece, porém, ter derivado do termo Linares que tem origem na forma latina Linum (linho). Linhares eram, pois, áreas cultivadas de linho, planta têxtil que, outrora, abundava nesta região.


 O seu castelo, Monumento Nacional reconstruído em 1291 durante o reinado de Dom Dinis, desempenhou um importante papel na defesa da Beira Alta durante os primórdios da nacionalidade. Daqui se avista uma boa parte do restante património histórico da localidade, onde se destacam também a igreja matriz de origem românica, o pelourinho manuelino, a casa da câmara, com armas reais de Dona Maria, o solar Corte Real, construção barroca do século XVIII e o solar Brandão de Melo, edifício neoclássico do século XIX.


Cada uma das pedras das magníficas ruas contam histórias fantásticas, e revelam a importância que esta aldeia teve no passado.



Ao longo do percurso pela aldeia encontramos uma pequena tribuna de pedra, exemplar único de fórum medieval donde se anunciavam à população as decisões comunitárias.
Também visitamos a igreja matriz, de raiz românica. No seu interior estão três valiosas tábuas atribuídas ao grande Mestre português Vasco Fernandes (Grão Vasco).

Sendo a gastronomia um factor que aprecio em cada visita cultural, aproveitamos o momento do almoço para saborear os prazeres locais, na Taberna do Alcaide.
Como entradas saboreamos: queijo da Serra, morcela, chouriça da serra e alheira de Linhares da Beira. Como prato principal experimentamos o Borrego de Linhares e por fim para adoçar o momento deliciamo-nos com requeijão com doce de abóbora.

Considero a aldeia de Linhares da Beira um local de história, tradição e de beleza paisagística.

Lenda da Aldeia Histórica de Linhares da Beira



A história desta batalha baseia-se em factos reais. Segundo a tradição no tempo do Rei D. Sancho I, o Rei de Leão invadiu Portugal com intenção de tomar Celorico da Beira.

Avisado por um mensageiro, que tinha sabido das intenções do Rei de Leão, o alcaide de Celorico mandou pedir ajuda a seu irmão, também ele alcaide, mas em Linhares da Beira. Tendo por aliada uma noite cerrada e escura por ser lua nova, os dois alcaides juntaram homens e forças e pensaram em qual seria a melhor táctica para vencer o Rei de Leão.

Na tentativa de surpreender o inimigo que nem imaginava que os Portugueses o esperavam e em vez de o esperarem trancados dentro do castelo, o exército português saiu ao encontro do exército leonês. A táctica resultou e os Portugueses venceram.

Em memória desta batalha nocturna vencida, o rei D. Sancho I mandou incluir a lua e as estrelas no brasão de armas de Linhares e Celorico.

Retirada do site: http://www.casasdocruzeiro.com/AldeiasHist%C3%B3ricas/LendadaAldeiaHist%C3%B3ricadeLinharesdaBeira.aspx

27 de abril de 2011

Belmonte - Aldeia Histórica de Portugal


A aldeia de Belmonte situa-se no Monte da Esperança, no vale conhecido por Cova da Beira, na margem esquerda do Rio Zêzere. Segundo a tradição, o seu nome advém do lugar onde está edificada (monte belo ou belo monte). As primeiras referências à vila estão associadas à história do grande concelho da Covilhã, com foral de 1186, mas depressa obteve foral próprio de D. Sancho I, em 1199. A partir do século XV, a história da vila funde-se com a própria história da família Cabral, seus alcaides-mor e adiantados da Beira. Belmonte foi o berço do navegador Pedro Álvares Cabral que em 1500 descobriu o Brasil. 


Em Belmonte fixou-se uma importante comunidade judaica, sobretudo no séc. XV, quando aqui se refugiaram judeus fugidos às perseguições movidas por Castela. Moravam em casas situadas fora das muralhas do castelo, no Bairro de Marrocos, onde ainda poderá ver os símbolos das profissões exercidas pelos membros da comunidade, como a tesoura que identifica o alfaiate, gravados nas ombreiras das portas.

 Na aldeia visitamos o Castelo, monumento Nacional formado pela Torre de Menagem, vestígios da antiga alcaidaría (Paço dos Cabrais) e um moderno anfiteatro ao ar livre, rodeado por imponentes muralhas. Não deixamos de subir à janela Manuelina, verdadeira jóia granítica, de onde apreciamos a Serra da Estrela em toda a sua extensão.


 Junto ao castelo encontramos uma pequena igreja romano-gótica dedicada a S. Tiago, que tem no interior uma Pietá esculpida em granito, comovente na sua beleza rude e simples. Um anexo à igreja abriga o panteão dos Cabrais, embora as cinzas de Pedro Álvares Cabral se encontrem na Igreja da Graça, em Santarém.


 Ao longo do percurso pela aldeia passamos pelo pelourinho o símbolo medieval de poder municipal que representa uma prensa, e pela Capela Gótica da Nossa senhora da Piedade, onde se encontra uma belíssima pietá, escultura gótica, monolítica, em granito da região, e pela sinagoga, um templo da comunidade judaica de Belmonte.


 Visitamos a Igreja Matriz, uma construção recente dos anos 40 que alberga a imagem quatrocentista de Nossa Senhora da Esperança que, segundo a tradição, é a santa que Pedro Álvares Cabral levou na sua viagem de descoberta do Brasil.
Encontramos o edifício Tulha, magnífico edifício de granito do século XVIII, onde eram armazenadas as rendas da família Cabral. Hoje encontra-se aí instalado o Eco-museu do Zêzere, uma estrutura que aborda o rio Zêzere numa perspectiva do seu património natural e cultural, privilegiando os aspectos ligados à fauna, flora, uso do solo e povoamento. Por fim vistamos o Museu Judaico de Belmonte, estrutura única no nosso País e o Museu do Azeite.




Fora da aldeia de Belmonte (na freguesia do Colmeal) visitamos as ruínas romanas Centum Cellas, cuja histórica deu origem a várias lendas e teorias.  


 Ao longo dos tempos várias atribuições foram dadas a estas ruínas, desde templo a prisão, ou mesmo albergaria, sabendo-se agora, após grandes estudos arqueológicos, que este terá sido um amplo conjunto estrutural, incluindo diversos compartimentos como salas, corredores, escadarias, caves e pátios, constituindo a Torre o espaço central.


Considero Belmonte uma aldeia repleta de mistérios e ao explorarmos os seus caminhos e monumentos envolvemo-nos nas histórias das gentes da terra.

26 de abril de 2011

Castelo Rodrigo - Aldeia Histórica de Portugal



Castelo Rodrigo é uma aldeia medieval, erguida no topo de uma colina isolada, a 820 metros de altitude, oferece uma esplêndida vista sobre os campos e serras em redor. Esta antiga vila fortificada, totalmente recuperada no âmbito do Programa de Recuperação de Aldeias Históricas, guarda vestígios de ocupação humana que remontam ao Paleolítico.



A história desta aldeia enraíza-se nas páginas do tempo, ao entrar pela porta do sol, senti que abraçava os antepassados embrenhados pelas ruas estreitas e repletas de vestígios históricos.



 Fazendo parte do programa das Aldeias Históricas, a sua monumentalidade está patente em todo a vila. O pelourinho, a cisterna, servida por duas portas, uma gótica e outra mourisca; a igreja matriz; a Igreja e Convento de St.ª M.ª de Aguiar, o relógio instalado sobre um antigo torreão são monumentos que tornam este local inesquecível. Já as ruínas do castelo revelam a raiva da população quando, no final do reinado de Filipe II, incendiou o antigo palácio de Cristóvão de Moura, um dos defensores da legitimidade espanhola por terras lusas.





O castelo tendo sofrido ao longo dos tempos, diversas reconstruções, nomeadamente quando em 1297, D. Dinis mandou restaurar os castelos desta região, tendo reedificado e repovoado Castelo Rodrigo “fazendo erigir um forte castelo, com alterosa torre de menagem, quadrangular, com seis janelas sacadas e uma poderosa cinta de muralhas apoiada em torreões semicirculares que ainda persistem, bem como três portas: a Porta do Sol, a Porta de Alverca ou Porta Nascente junto da qual se observa a Cabeça do Mouro e a Porta da Traição com acesso ao Túnel que supostamente liga ao Mosteiro de Santa Maria de Aguiar.




 Castelo Rodrigo merece uma visita pelas suas glórias passadas, pela beleza e limpidez do lugar, pelo seu casario intra-muros, pelo seu pelourinho manuelino e ainda pela comovente imagem de Santiago Matamouros guardada na igreja do Reclamador.

Um local imperdível é a vista do miradouro da Serra da Marofa, onde se localiza uma réplica do Cristo-Rei. Deste ponto podemos contemplar uma esplêndida vista sobre a aldeia Castelo Rodrigo, bem como sobre a fantástica região da Beira Alta.



Considero Castelo Rodrigo umas das aldeias históricas mais opulentas em vestígios históricos, transmitindo ao visitante parte das raízes plantadas nos caminhos, monumentos e entranhas da aldeia.

Lenda da Aldeia Histórica de Castelo Rodrigo



Esta lenda baseia-se em factos históricos e está relacionada com a expulsão dos Judeus pelos reis católicos de Espanha e com a vinda de muitos desses Judeus para Portugal no reinado de D. João II, que os acolheu e protegeu.

Um deles foi Zacuto, judeu muito rico, que tendo sido ele também expulso de Espanha, escolheu Castelo Rodrigo para viver. Viúvo e de poucas falas, era no entanto, exímio nos negócios. Pouco tempo depois de ter chegado aquelas paragens já era dono de muitas terras, comprara rebanhos e mandara construir uma casa magnífica. Mas se era sozinho porquê uma casa tão grande? - questionavam-se os seus vizinhos… Assim que a obra terminou, viram chegar varias carroças e com elas muitos homens e mulheres. Afinal Zacuto tinha parentes. No entanto todos os olhares se voltavam para uma única pessoa, Ofa, a sua lindíssima filha. E no dia em que pela primeira vez saiu à rua foi um alvoroço. Uns cumprimentavam-na, outros saudavam-na das janelas e as crianças ofereciam-lhe flores e pequenos presentes. Toda a família ficou muito feliz, porque afinal Zacuto tinha acertado em cheio na escolha da aldeia em que viviam. O pior estava, no entanto, para vir, porque os rapazes da aldeia tentavam por todos os meios conseguir a atenção da linda rapariga. No entanto e porque pertenciam a religiões diferentes, os pais não viam com bons olhos aquelas tentativas de aproximação, afinal Ofa nunca poderia casar com um cristão… E a fama da linda judia chegou longe e chegou aos ouvidos do fidalgo das Cinco Vilas, um rapaz da região, conhecido pela sua ousadia e pela imensa fortuna de seus pais.

“Hei-de jantar com ela ainda antes do Inverno!”- apostou com os amigos!

E lá foi arquitectando o seu plano até que se aproximou do judeu e lhe propôs um negócio, que muito agradou a Zacuto. Mas não satisfeito com isso, decidiu ir mais longe e contratou uns homens que fariam um assalto ao judeu e do qual o fidalgo o salvaria. Tudo acertado com os homens passou à acção. O plano resultou em cheio e Zacuto, muito agradecido, convida o Fidalgo para sua casa. Aposta ganha! O que fidalgo não esperava era que se apaixonaria à primeira vista por Ofa, e ela por ele. E passaram a encontrar-se as escondidas pois as famílias nunca aceitariam aquele casamento. Quando no povo viam o Fidalgo sair sem dizer para onde ia, murmuravam entre si: “ Lá vai ele amar Ofa”

O romance acabou por ter um final feliz porque segundo a tradição todos os judeus que vivessem em Portugal eram obrigados a aceitar o Cristianismo se não queriam ser expulsos. Assim desapareceu o obstáculo da religião e como ambas as famílias eram muito ricas o casamento realizou-se no Mosteiro de Santa Maria Aguiar e os festejos duraram 3 dias e 3 noites. Nos brindes aos noivos, o povo ia gritando : “Marofa, Marofa…” e assim, símbolo de alegria, surgiu o nome da Serra de Castelo Rodrigo : Serra da Marofa.

Retirada do site: http://www.casasdocruzeiro.com/AldeiasHist%C3%B3ricas/LendadaAldeiaHist%C3%B3ricadeCasteloRodrigo.aspx

23 de abril de 2011

Castelo Mendo - Aldeia Histórica de Portugal



Castelo Mendo fica a sudoeste de Almeida. Eleva-se a 721 metros de altitude, coroando um cabeço granítico rodeado pelo fundo vale do Côa. A aldeia continua amuralhada, tal como estava quando o rei D. Sancho I a mandou erguer em princípios do século XIII. Mantêm-se no interior uma série de igrejas, umas em ruínas, outras bem conservadas, sendo curiosas as representações do lendário alcaide Mendo e da sua mulher, Menda, carrancas colocadas na fachada de duas casas vizinhas. Castelo Mendo tinha uma importante feira medieval, provavelmente a primeira feira oficial do país.







Esta Aldeia Histórica tem muito para contar, como confirmamos ao visitar o seu Castelo, as Igrejas de São Vicente e de São Pedro, o alto Pelourinho de 7 metros, o mais alto das Beiras, ou pela Domus Municipalis, edifício que englobava a Cadeia, o Tribunal e a Casa da Câmara, e que, hoje, funciona como Posto de Turismo.







Silenciosamente entramos pela porta da fortaleza medieval rodeada por montes verdejantes e vales férteis, passamos o portal de pedra, entramos e recuamos no tempo. Longe da agitação do progresso, a aldeia vive a sua solidão nas ruas desertas e nas casas abandonadas. Mas é graças a esse isolamento que Castelo Mendo é um pequeno encanto perdido na montanha. Do terreiro da igreja sem tecto conseguimos alcançar uma paisagem espectacular.







O queijo de cabra e o pão caseiros são as atracções gastronómicas da aldeia.

Esta aldeia singular abraçada pela natureza conquista qualquer alma.

Lenda da Aldeia Histórica de Castelo Mendo


Esta é uma lenda popular que se crê ter surgido para explicar o estranho ritual que durou séculos: todos os anos a população de Castelo de Mendo enviava à Festa da Senhora do Sacaparte um grupo de rapazes nus da cintura para cima. Durou até ao dia em que um Bispo muito severo, proibiu tais praticas. Mas se hoje, desse ritual, restam apenas memórias, ainda se conta a lenda do monstro e do ermitão…

Há muitos anos, tantos que já se perdeu a memória, o povo de Castelo de Mendo vivia aterrorizado, porque sempre que chegava a Primavera, desaparecia alguém sem deixar rasto. O primeiro a desaparecer foi o rapaz mais bonito da terra. Muito se disse, muito se pensou e especulou sobre o assunto, mas o certo é que do rapaz nem sinal. Durante todo o ano se tentou, em vão, saber do paradeiro do rapaz e para pasmo geral na Primavera seguinte o caso repetiu-se e voltou a repetir-se nas Primaveras que se lhe seguiram. Sempre que chegava a Primavera, desaparecia um rapaz. De modo que em vez de se alegrarem com a chegada do bom tempo, os habitantes da aldeia viviam em pânico. Quem seria o próximo? E apesar de todas as precauções, nada parecia conseguir evitar aqueles estranhos desaparecimentos. Já em desespero, resolveram, consultar um ermitão que vivia a muitas léguas dali. Talvez ele com toda a sua sabedoria soubesse o que fazer. Demoraram alguns dias até o encontrarem e quando finalmente o avistaram, parecia que o homem sabia da sua vinda porque lhes dirigiu estas palavras:




Nestas terras por azar

Anda um monstro traiçoeiro

Ai de quem ele avistar

Que o engole logo inteiro

Para este mal acabar

Oiçam-me bem esta rima

Dezoito moços hão-de andar

Nus da cintura para cima


Dado o recado os três homens agradeceram e voltaram para a aldeia. Uma vez lá chegados o povo recebeu com alegria as boas noticias e alguém respondeu falando mais alto que os demais:



Mandar moços seminus

À Senhora do Sacaparte

Se essa é a solução

Pois lá irão!


E foram. Nesse ano e nos que se seguiram durante séculos e séculos. Do monstro nunca mais se ouviu falar mas também nunca ninguém duvidou do ermitão. E a tradição ainda hoje se cumpriria não fosse a ordem de um bispo que não achou graça a esta pratica e a proibiu!

22 de abril de 2011

Almeida - Aldeia Histórica de Portugal



Vista do ar, a vila de Almeida parece uma estrela de 12 pontas. Esta notável praça-forte foi edificada nos sécs. XVII-XVIII, em redor de um castelo medieval, num local importantíssimo como ponto de defesa estratégico da região - um planalto a cerca de 12 kms da linha fronteira com Espanha, definida pelo Tratado de Alcanices em 1297, data em que Almeida passou a ser portuguesa.



Existem várias versões para origem do nome Almeida. Mas o que todos concordam é que o nome é de origem árabe. Uns referem que vem do árabe Al Mêda e que significa a mesa, pelo facto da povoação se encontrar situada num vasto planalto, no planalto das mesas.
Almeida é um dos melhores exemplares de fortificação abaluartada existente em Portugal.



Almeida foi palco de lutas ao longo dos séculos, destacando-se as Guerras da Restauração (séc. XVII), em que os espanhóis foram definitivamente afastados do trono de Portugal, e as invasões francesas no séc. XIX em que esteve cercada durante um longo período pelas tropas napoleónicas, tendo o seu castelo e parte da muralha sido gravemente danificados pela explosão de uma enorme quantidade de pólvora armazenada nos paióis, o que provocou a sua rendição.

No interior da fortificação, vale a pena visitar o conjunto agradável do casario, e numerosos edifícios religiosos e civis espalhados por ruas estreitas que conservam a atmosfera de outros tempos, entre eles destaco as Casamatas, o quartel das esquadras, o picadeiro d’el Rey, a casa dos Governadores, o edifício da Câmara Municipal.



 

 
No que se refere ao património religioso destaco a igreja matriz, a Torre do relógio e a capela da misericórdia.



Ao percorrer os caminhos desta aldeia deparei-me com uma tranquilidade emanada da paisagem que envolve as muralhas.

Lenda da Aldeia Histórica de Almeida



Esta lenda baseia-se em factos reais relatados por Fernão Lopes na Crónica do Rei D. Fernando. Isabel foi a única filha bastarda do Rei D. Fernando e não se sabe quem era a mãe. A lenda conta-nos como o Rei de Castela invadiu Portugal e como Almeida foi temporariamente entregue aos Espanhóis. Fala-nos também de casamentos combinados entre Príncipes e Princesas…

E para pôr fim a guerras terríveis, o Rei D. Fernando de Portugal e o Rei D. Henrique de Castela combinaram cedências de terras (Almeida incluída) e o casamento dos seus filhos (bastardos, ambos). Sucede que a nossa Princesa tinha somente 8 anos tendo o seu noivo completado já os 18. Facilmente se percebe porque ficou o Príncipe de Castela tão furioso, com a noiva que lhe tinha calhado por sorte. E porque lhe ganhou tamanha aversão a ponto do próprio Rei, seu pai, o castigar severamente, retirando-lhe privilégios e terras… Entretanto Isabel ruma a Castela. A vida na Corte Castelhana era animada e Isabel encontra na Rainha D. Joana Manuel, uma natural aliada pois esta era irmã de sua avó paterna. A soberana encantou-se com a menina e nunca mais deixou de a proteger. Entretanto os anos passam e um belo dia no palácio de Valladolid e perante toda a corte que se encontrava ali reunida, D. Isabel (diz-se que com a cumplicidade da própria Rainha) diz muito simplesmente que é filha do Rei de Portugal e que se está destinada a casar com D. Afonso não vê motivo para adiar mais esse casamento, apesar do desagrado mutuo entre os noivos. Perante argumentação tão simples, clara e directa, rebatê-la foi impossível e conta-se que D. Henrique saiu de rompante da sala e mandou buscar seu filho para que o casamento se realizasse. Mesmo assim, tal só veio a suceder 9 meses mais tarde na catedral de Burgos. Reza a historia que D. Afonso só se dignou pronunciar o esperado “Sim” quando viu seu pai aproximar-se ameaçadoramente zangado. Seguiu-se a boda e a noite de núpcias, mas a mesma atitude de indiferença e de desprezo manteve-se. E durante muito tempo D. Isabel sofreu com a rejeição do marido. Não havia perfumes nem enfeites nem lágrimas nem trejeitos que convencessem D. Afonso a consumar o casamento. Até que, movida pelo desespero, consulta uma feiticeira que lhe dá uma receita para um chá feito com ervas que D. Isabel teria de colher com as próprias mãos. Um ano depois nascia o primeiro filho. Depois deste, mais cinco rapazes se seguiram e quando por último nasceu uma menina, a própria Rainha quis escolher-lhe o nome: Constança (como não podia deixar de ser) …

Retirado do site: http://www.casasdocruzeiro.com/AldeiasHist%C3%B3ricas/LendadaAldeiaHist%C3%B3ricadeAlmeida.aspx