18 de janeiro de 2011

Combarro


 
Quando fui passar o fim-de-semana a Baiona, decidi visitar Combarro.

Combarro é uma vila muito interessante porque é pequena, muito movimentada, com ruelas estreitas que nos levam à beira-mar e perto do mar encontramos um belo cenário – vários espigueiros alinhados e dispostos de uma forma que embeleza qualquer postal.







Percorremos as ruelas onde pequenas casas de marinheiros se erguem, com as suas varandas de pedra inspiradas na arquitectura dos antigos paços.


Contemplamos a bela paisagem e em seguida decidimos apreciar  a gastronomia da localidade e  almoçamos umas deliciosas tapas numa esplanada à beira-mar.





Depois do almoço emaranhamo-nos novamente pelas ruas e cruzamo-nos com novos espigueiros, ao todo devem ser uns trinta, formando um dos maiores conjuntos da Galiza, com a particularidade de se situarem junto à costa.




Os espigueiros são também de pedra, embora o seu nome local de palleiras (palheiros) provenha de tempos mais antigos, em que eram cobertos de palha ou de outro material similar.



Por último são de salientar os cruzeiros, elementos da religiosidade popular que não poderiam faltar em qualquer encruzilhada. Alguns destes cruzeiros possuem ainda uma mesa a modo de altar, com funções sobretudo ornamentais para a procissão do Corpus.


Não deixei de comprar um souvenir, um espigueiro e uma pequena bruxa sendo estes os simbolos desta localidade.


Monte Tecla

Em Galego o castro é chamado de Santa Tegra e em Português de Santa Tecla.

No monte Santa Tecla, encontramos testemunhos do paleolítico e neolítico, especialmente no povoado celta, onde nos deparamos com as suas cabanas circulares e todo um conjunto de muralhas de protecção. No cume visitei a eremita de Santa Tecla.
Esta povoação foi construída na idade do ferro e ocupa uma grande extensão de território, em diferentes locais do monte.           




Este local fascina não só pelo testemunho do povoado, mas também pela vista abrangente que o cume do monte proporciona, ente elas: o rio Minho, a foz do rio e o mar atlântico, Vila Nova de Cerveira, Caminha, bem como, Las Rosas, A Guarda e outros locais de Espanha e Portugal.






Para chegar a Santa Tecla, ficam aqui duas sugestões:     

A partir de Vila Nova de Cerveira entra na ponte que atravessa o rio Minho e chega até Espanha. Segue a estrada principal até Guarda (uma distância de cerca de 15km) onde encontrará uma tabuleta, à esquerda, a indicar o ponto de interesse. Um pouco mais à frente inicia-se a subida do monte.                      

Ou então, poderá apanhar o ferry boat (que também transporta viaturas) na localidade de Caminha, e junto à outra margem do rio encontra a base do monte de Santa Tecla.
Sempre que viajo para o Norte de Espanha é garantido passar pelo Monte Santa Tecla, subo ao cimo do monte, respiro fundo, sinto o vento na face e aprecio a bela paisagem. Como diria o meu amigo João. É bom viver! 

14 de janeiro de 2011

Baiona



Baiona é uma das cidades históricas da província de Pontevedra - Galiza. É uma cidade que tem um grande apelo turístico no Verão devido às suas belas praias, mas ao visitar a cidade logo se percebe que ela não se resume a apenas praias, mas também possui um belo centro histórico, uma fortaleza imponente, um passeio marítimo belíssimo, miradouros incríveis, entre outras atracções.

Já visitei Baiona várias vezes, e quase todos os anos faço uma visita à costa da Galiza pernoitando nesta bela cidade.

O Centro Histórico de Baiona abarca casas de pedras ou granito, templos e igrejas seculares, cruzeiros e fontes nas praças, ruas estreitas de pedra, e tudo concebe um centro histórico harmonioso.



O ex-líbris de Baiona é a sua fortaleza de Montereal que foi construída devido às desavenças entre os Reis de Portugal e de Espanha e apesar de documentos indicarem que as suas muralhas tenham sido levantadas até 1333, indícios indicam que o castelo já existia desde o século X.








O Passeio Marítimo de Baiona é uma zona pedestre de mais de 3 km que percorre toda a área costeira da cidade. Ao longo do Passeio observa-se belas vistas da área pesqueira, da marina e seus barcos, e das lindas praias de Baiona.



Baiona possui distintas praias. A Praia da Ribeira é a mais bonita pois, além de possuir um mar deslumbrante, é nela que se tem as melhores vistas da Fortaleza, da cidade e da sua Marina.


O Passeio de Monte Boi é o caminho mais apropriado para apreciar e observar os confins marítimos de Baiona. Circunda grande parte da base da Fortaleza, num percurso de quase 2 km que se inicia na Praia da Concheira e termina na Torre do Relógio da Fortaleza.




A Virgen de la Roca é outra atracção de Baiona, um monumento em granito construído pelo arquitecto galego Antonio Palacios. A obra representa a Virgem segurando na sua mão direita um barco que serve como miradouro ao qual é possível chegar por uma escada (paga-se uma pequena quantia para ter acesso a esse miradouro). O rosto e as mãos da Virgem são de mármore branco e a sua coroa é em porcelana.

O monumento fica um pouco mais distante do centro, mas vale a pena chegar até ele, além do monumento ser incrível, as vistas que se têm desde o alto das pedras onde se encontra a Virgen de la Roca são espectaculares, podemos observar a fortaleza Montereal.



Na ida para o Porto aconselho a fazerem o trajecto pela costa da Galiza, a paisagem é belíssima, podem ainda visitar o Mosteiro de Oia, e seguirem o trajecto pela La Guarda, onde se encontra o Monte Santa Tecla. Depois de contemplarem as vistas do Monte de Santa Tecla podem atravessar de Ferri para Caminha. E Voilá chegam ao Nosso Portugal!


Tui


Tui é uma cidade galega localizada ao sul da província de Pontevedra. Esta cidade é famosa por ser a porta de entrada para Espanha para aqueles que fazem o caminho português em direcção a Santiago de Compostela.

Visitei Tui em Agosto de 2010 e fiquei deliciada com as paisagens que obtive desta pequena cidade. Tui é uma cidade relativamente pequena, mas que possui uma grande importância histórica para a região, visto que já foi sede de uma das sete capitais de províncias do antigo Reino da Galiza e foi palco de inúmeros conflitos devido a sua posição estratégica às margens do Rio Minho, na fronteira com Portugal.



O Centro Histórico de Tui segue o estilo encontrado em praticamente todas as cidades galegas com suas ruas estreitas e casas de pedra.




O Paseo da Corredera é a principal rua de Tui. Ela é rodeada de belas construções marcantes para a história do local, onde a pedra se faz presente a todo momento

Como não poderia deixar de ser, o Centro Histórico de Tui está repleto de construções que demonstram a forte religiosidade do povo galego. São capelas, igrejas, conventos, cruzeiros, estátuas dedicadas a santos, entre muitas outras formas de representação da fé católica presentes na Galiza

Um exemplo dessa religiosidade é o Convento de Santo Domingo, que foi construído pelos dominicanos que residiam na região desde o começo do século XIII. A princípio, o Convento ficou fora das muralhas que cercavam a cidade, mas no século XVII, com a construção das novas muralhas, acabou ficando protegido em seu interior. O Convento, que também conta com uma igreja, foi construído inicialmente em estilo gótico e depois sofreu influência barroca.




Outra demonstração clara da fé católica dos tudenses, a Igreja de São Telmo foi construída no exacto local onde morreu este santo dominicano no século XIII. São Telmo é o padroeiro da cidade de Tui e a sua igreja foi construída no final do século XVIII num estilo barroco português único em terras galegas.



Declarado conjunto histórico-artístico pelo Ministério de Cultura da Espanha, o Centro Histórico de Tui representa um exemplo clássico de urbanização medieval e a presença de elementos religiosos também marca essa época.

Outro convento presente na cidade é o Convento das Clarissas que foi fundado no ano de 1524 no local onde antes se encontrava a igreja românica de Santa Maria. No fim do século XVII foi iniciada a construção da actual igreja que possui arquitectura classicista, enquanto o convento foi construído entre os séculos XVII e XVIII.

Um detalhe que para muitos pode passar despercebido durante um passeio pelas ruas de Tui são as belas placas de rua do Centro Histórico. Elas são feitas de pedra, mantendo assim uma harmonia na paisagem do local, e além do nome da rua em galego, as placas também mostram o escudo de Tui e o antigo nome da rua.

A Catedral de Santa Maria é a catedral mais importante de Tui, é grandiosa e é uma das minhas favoritas.




Essa Catedral começou a ser construída no século XII, as formas representadas nas colunas que adornam a igreja, possuem um estilo românico enquanto a entrada principal possui um estilo gótico, inclusive sendo considerada como a primeira obra gótica realizada na Península Ibérica.

Um ponto alto da visita à Catedral é apreciar o belo Pórtico presente na entrada principal. Esse pórtico apresenta em sua área central 2 representações católicas clássicas: a adoração dos Reis Magos na parte superior e o nascimento do menino Jesus na parte inferior.

No interior da Catedral apreciamos o belo altar com as suas relíquias, além de 2 órgãos barrocos do século XVIII. Além disso, existem outras atracções pagas no interior da Catedral como a Torre de Soutomaior (óptimo local para se ter uma vista panorâmica de toda a cidade), o Claustro (único claustro medieval conservado entre todas as catedrais galegas) e o Museu Catedrático.





O Parque da Alameda é uma área arborizada que se localiza atrás do Convento de Santo Domingo.



O Mirante do Parque da Alameda é sem dúvida o melhor local para se observar o Rio Minho. Desde o mirante pode-se obter incríveis panorâmicas da cidade de Tui, do Rio Minho e da cidade de Valença do Minho que se encontra na outra margem do rio.



A vista desde o mirante, nota-se que a Catedral se encontra no ponto mais alto da cidade, tornando-a um símbolo ainda mais imponente para Tui.

O Passeio Fluvial é uma obra que foi realizada recentemente pela Câmara Municipal de Tui e que tornou a caminhada pelas margens do Rio Minho uma atracção mais agradável, não apenas para os turistas como também para os moradores que podem aproveitar para praticar actividades físicas no local ou apenas desfrutar das belas paisagens.

Tui é uma cidade pequena, mas interessante, porque concilia paisagem natural, com património cultural e religioso.

9 de janeiro de 2011

Tunísia


A Tunísia é um país cheio de bons motivos para ser visitado. Realça-se, acima de tudo, pelos seus aspectos históricos, resultado da forte presença dos diferentes povos que por lá passaram.

Visitei a Tunísia em Maio de 2010 e fiquei surpreendida pela riqueza paisagista, bem como pela riqueza cultural. O motivo da minha visita não foi para fazer praia, mas sim uma visita cultural.

Atracamos no porto de La Goulette e dirigimo-nos a Tunes.

Tunes, capital da Tunísia, situada no golfo de Tunes no mar Mediterrâneo. É o centro comercial e industrial do país. A Medina de Tunes é o monumento de maior destaque sendo considerado pela UNESCO Património da Humanidade.

 


Situada num grande golfo do mar Mediterrâneo - o golfo de Tunes -, do qual é separada pelo lago de Tunes e pelo porto de La Goulette (Halq al Wadi), a cidade estende-se pela planície costeira e pelas colinas que a cercam. A almedina é cercada por bairros mais recentes (da era colonial e posterior). Em torno da cidade encontram-se os subúrbios de Cartago, La Marsa e Sidi Bou Said.

A almedina, declarada Património Mundial em 1979, é o centro da cidade, deparamo-nos com uma densa aglomeração de vielas e passagens cobertas, com cores e aromas intensos, comércio activo e agitado e uma quantidade de bens em oferta que vão do couro ao plástico, do estanho à filigrana, das lembranças para turistas ao trabalho de pequenas lojas de artesanato.

A cidade moderna, ou Ville Nouvelle, começa no Portão do Mar (Bab el Bahr) e é cortada pela grande avenida Bourguiba, onde os edifícios da era colonial contrastam com estruturas menores. Como capital nacional, Tunes é o centro da actividade comercial tunisiana, bem como o foco da vida política e administrativa do país.

Fiz uma visita guiada à cidade de Tunes, onde o guia nos transmitiu a cultura e os costumes do povo Tunisino. Quanto mais nos infiltrávamos na cidade era possível verificar que as nossas diferenças culturais, religiosas e sociais eram muito díspares, o que nos cativou ainda mais. Neste país senti-me verdadeiramente uma turista. Tentávamos perceber como é que aquele povo conseguia trabalhar debaixo daquele sol abrasador, com toda aquela roupa, especialmente as mulheres, que nas zonas mais rurais se tapavam por completo. Outra situação que me surpreendeu são as práticas religiosas tão fortes e enraizadas, praticadas em qualquer local (na rua, por exemplo). Um dos momentos que ficaram registados na minha memória, foi o som das orações, enquanto passeava pelas ruas.


Não podíamos deixar de fazer uma visita à Medina Tunes (Tunis) para fazermos umas compras. Ruas estreitas, cruzadas e entrelaçadas, repletas de lojas (pequenas) com tudo e mais alguma coisa. Contudo, o mais divertido eram os vendedores cuja capacidade de persuasão e diversidade linguística eram fantásticas. Falavam, no mínimo 5 línguas e todos os turistas que por ali passavam eram interpelados por eles e era neste preciso momento que aqueles turistas mais ariscos, no bom sentido, punham em prática a bela arte de regatear (característica intrínseca deste povo, em especial nestes locais).



Foram vários os locais por onde passamos, desde o Porto de La Goulete, Tunis, Cartago, mas aquele que mais nos impressionou pela sua beleza arquitectónica foi a localidade de Sidi Bou Said repleta de uma imensidão de casas brancas e azuis, o que me fez recordar as ilhas Gregas.

Em Tunes admirei as casas do povo, bem como a casa dos abastados, segundo o guia turístico através das portas das casas conseguíamos verificar quem era pobre ou rico. A visita guiada foi de grande utilidade, na medida que conseguimos perceber pormenores daquela cultura que sem guia nunca teríamos conhecimento.

Um dos momentos que mais apreciamos foi quando subimos a um terraço da Medina e contemplamos a vista sobre Tunes, onde admiramos as mesquitas, os terraços das casas com os tradicionais tapetes e as raízes e tradições deste povo. A vista do cimo dos terraços representa a arquitectura islâmica medieval.






Em Cartago os monumentos transmitiram-nos serenidade, devido à sua dimensão e cores claras.

Atravessar Cartago (também Património da Humanidade) foi comovente, apesar de restarem apenas ruínas da metrópole que um dia imperou sobre o mundo antigo.



Um dos locais que mais gostei da Tunísia foi a localidade de Sidi Bou Said. Um lugar pitoresco e apaixonante com a sua mistura de casas divinamente brancas com as suas portas e janelas num lindo azul vivo e as bungavíleas que por elas trepam um pouco por todo o lado e vão adicionando um pouco mais de cor à paisagem. Cafés e lojas de artesanato preenchem os espaços um pouco por todo o lado dando-lhe uma atmosfera simpática e envolvente. É actualmente um dos locais preferidos na Tunísia e como tal é invadido diariamente por centenas de turistas.










A visita à Tunísia foi uma experiência fabulosa e que contamos repetir já que muito ficou por aprender e por visitar.